Para quem pensa cometer um suicídio sem dor, alertamos que o suicida não o fará sem dor, muita dor.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Suicídio de jovens homossexuais e o papel da Psicologia


 
Pesquisa divulgada em Nova Iorque, em 18/04/2011, indica que o número de jovens homossexuais que se suicidam é cinco vezes maior que o número de jovens heterossexuais. É um grande sinal de alerta para se pensar em políticas públicas que promovam melhorias nas condições de vida de um grupo vulnerável socialmente.
 
Diante deste grave problema social, é importante pensarmos como a psicologia pode colaborar para mudar essa situação. Primeiro é preciso deixar claro que a homossexualidade não é uma doença ou transtorno mental que motive o suicídio ou qualquer outra violência contra si mesmo. É importanteressaltar que, desde 1999, o Conselho Federal de Psicologia proíbe qualquer ação de psicólogos que possam colaborar com uma representação dahomossexualidade como doença ou anormalidade, bem como realizar terapias para mudança de identidade sexual. Se você ouviu, presenciou ou sabe de algum psicólogo que, na prática profissional, considera a homossexualidade como transtorno e propõe cura, denuncie ao Conselho Federal de Psicologia.
Para a psiquiatria, a homossexualidade não é doença, mas quando é experiênciada como sofrimento, seguida de sentimentos, impulsos, atitudes ecomportamentos que contrariam a própria pessoa, lhe é atribuída um transtorno egodistônico.  Dessa forma, a psicoterapia não tem por objetivo mudar a orientação sexual do indivíduo, mas ajudá-lo a lidar com sua sexualidade, se refazer enquanto sujeito sexual.
Alguns psicólogos, sobretudo os evangélicos, acreditam que a psicoterapia deve curar a homossexualidade, quanto o sujeito tem uma queixa de sofrimento. Mas se um indivíduo chegasse até um psicólogo com uma queixa de sofrimento por racismo, o profissional deveria ajudar o paciente a mudar de cor, ou lidar com estas questões que não são pessoais, e sim sociais?
O próprio conceito de transtorno egodistônico é questionável, pois o fato do sujeito não aceitar seu desejo não diz respeito somente a ele, mas a todo um sistema social que exige determinada forma de sexualidade e condena outras. Só deveríamos considerar egodistônico um sujeito que vivencia umasexualidade valorizada socialmente, mas mesmo assim a rejeita e sofre pelo fato do seu desejo corresponder ao que é esperado dele, o que, até onde sei, não ocorre em nossa sociedade.
 
É bom deixar claro que não existe um “sofrimento homossexual”, assim como não existe um psiquismo homossexual. Não há uma essência psicológicahomossexual que seja oposta a uma psique heterossexual. Quero dizer com isso que heterossexuais e homossexuais não são opostos, e se os homossexuais têm uma vivência ampliada de sofrimento, isso não faz parte de uma suposta natureza humana. A natureza desse sofrimento é consequência de um sistema político em que a heterossexualidade é considerada uma experiência obrigatória, natural, saudável e louvável, enquanto a homossexualidade é considerada desvio ou anormalidade. Essa naturalização da sexualidade tem consequências, pois primeiro o sujeito aprende que a homossexualidade é anormal para depois sedeparar com o seu desejo.
 
É preciso ressaltar também que a personalidade é construída a partir da relação com o outro, necessariamente a partir de um ideal, que em nossasociedade é um ideal heterossexual. Todas as referências positivas fazem parte da identidade heterossexual, enquanto todos os referenciais negativossão relegados à homossexualidade. Essa moral dualística faz com que os jovens, ao construírem sua personalidade, identifiquem na heterossexualidadeaquilo que devem ser e, no desejo pelo mesmo sexo, uma impossibilidade de realizar esta idealização.
 
Quando há alguma proposta de positivar a homossexualidade, surge também à acusação de promover a experiência gay, como se a exigência simbólica da heterossexualidade não matasse tanta gente, mesmo assim, essa exigência é promovida na mídia, nas escolas, nas religiões e na família. A ideia de uma representação positiva da homossexualidade é também complexa, pois termina dividindo os homossexuais entre os que se adequam ao modelo de normalidade e os mais subversivos, que terminam sendo rejeitados pelos próprios homossexuais, o que impossibilita uma experiência de solidariedade e diminui o suporte social.
 
Essas políticas identitárias que visam promover a homossexualidade a um status de igualdade podem ser eficazes na redução de danos mas, sequisermos resolver o problema de fato, precisaremos descontruir a ideia de heterossexualidade como natural, de homossexualidade como oposição e, mais ainda,  de que as identidades sexuais se resumem a duas posições opostas.
 
Alguns psicanalistas já advertiram do engano de considerar as identidades como algo da natureza. Jurandir Freire Costa já problematizou que a identidade é um efeito da linguagem que oferece duas únicas possibilidades aos sujeitos, e sugeriu que a palavra homossexual fosse retirada da prática clínica, pois ela não diz o que o sujeito é. Paulo Roberto Ceccarelli acrescenta que a homossexualidade é um artefato classificatório patologizado, enquanto Contardo Calligaris adverte sobre a impossibilidade de escapar de toda montagem imaginária e negativa que carrega a palavra homossexual.
 
Assim, enquanto os psicólogos devotarem todos seus esforços à psicoterapia para resolução desse problema, a psicologia pouco poderá contribuir paraeliminar o suicídio de jovens homossexuais.  É trabalho de bombeiro – apagar as chamas! É preciso uma posição mais política, que os psicólogos sociaistêm reclamado estar ausente da psicologia, e que está para além da clínica, embora possamos combinar as duas coisas. Enquanto o modelo de sociedade que está alicerçado numa heterossexualidade como norma ou como vivência privilegiada não for questionado, essa mudança não será efetiva.
Campanhas como: “eu sou gay”, “ser gay não é errado” podem ser muito positivas, mas, se não questionarmos os processos sociais que tornam aspessoas normais ou anormais, sadias ou patológicas, os suicídios continuarão acontecendo, não por conta dos sujeitos, mas na conta de um sistema social. Não adianta tentar inserir os sujeitos dentro das normas hegemônicas, é preciso questionar as normas se, de fato, desejarmos um mundo melhor e mais justo.
 
Gilmaro Nogueira, Psicólogo Clínico, Especialista em Estudos Culturais História e Linguagens, Mestrando no Programa Multidisciplinar Cultura e Sociedade (UFBA), Pesquisador do Grupo de Cultura e Sexualidade (CUS). Pesquisa em andamento: A significação das experiências não-heterossexuais em Salvador.
@psicologiaqueer / gilnog@yahoo.com.br

terça-feira, 22 de março de 2011

Aborto e Suicídio - Luiz Carlos Formiga

Recordo a história de uma gestante, filha de espíritas. Durante uma obra de alvenaria na casa de seus pais, apaixonou-se pelo pedreiro responsável. Casaram-se. Nasceu uma filha, doce menina, bela jovem.
Dificuldades financeiras eram muitas. Ele era obrigado a fazer horas extras em outras cidades e, durante a semana, ficava longe da família. Engravidaram de um menino “temporão”.
Os problemas financeiros, que não eram poucos, certamente aumentariam, mas tiveram a criança.
Em outro caso, onde a mãe dona Anna disse: “Não, Doutor! Matar? Nunca!”, o menino recebeu o nome de Divaldo Pereira Franco.
http://br.msnusers.com/DIVALDOFRANCONORJ/nodoutormatarnunca.msnw
No que lhes narro o menino é outro.
O pedreiro e a mulher venceram desafios, mas o destino resolveu ser cruel.
A lesão cardíaca roubou-lhes a filha, na juventude.
Ela entrou em depressão lutando e resistindo para cuidar do filho, ainda na primeira infância.
O tempo passou, o menino cresceu, chegou à universidade, doutorou-se e lhe deu três netas e um neto. Voltou a ser feliz.
Mas, “o tempo não para!”.
Prova final, no leito do Hospital da Universidade, onde o filho agora era professor, faz-lhe a confissão: “quando sua irmã morreu senti vontade de morrer também. Não cometi suicídio porque você era tão pequeno!”.
É extenuante a dor de quem perde um filho!
Chico Xavier passou bom tempo dedicando-se às mães desesperadas. “Ninguém tem o direito de se omitir”, http://www.chicoxavier.org.br/ (com som).
Certa vez fui a Uberaba. Impressionou-me o sofrimento e a expectativa daquelas mães esperando a comunicação, como Nair Belo.
Chico tinha um limite e psicografava “poucos”, durante cada reunião.
Qual o critério utilizado pela espiritualidade para a escolha das mães privilegiadas?
Um amigo disse-me já ter feito a pergunta. Fora informado de que o critério era a profundidade da dor, aquela que poderia levar ao suicídio.
Hoje também sou avô, mas mal posso imaginar a dor da esposa do pedreiro.
Na terceira idade, devo agradece-lhe a luta e a resistência. Ela me criou. Permitiu-me estar agora recordando a poesia de Plínio. (LUIZ CARLOS FORMIGA) http://www.ajornada.org/materias/perfil/perfil-0006.htm  

Relação de artigos de Luiz Carlos Formiga...

LUIZ CARLOS D. FORMIGA é professor universitário da UFRJ e UERJ, aposentado.

Jornal dos Espíritos - o seu jornal espírita na internet

segunda-feira, 21 de março de 2011

Capacitação de Voluntários

Aos Amigos, o Posto Samaritano Abolição, integrado ao Programa CVV
realiza gratuitamente há 49 anos serviço de Apoio Emocional e
Valorização da Vida (consequentemente prevenindo o suicídio),
utilizando o telefone como ferramenta. Nos dias 09/04 E 10/04//2011 no
horario das 13hs às 19hs haverá curso para seleção e capacitação de
novos voluntários e solicitamos a colaboração em divulgar o evento
conforme release abaixo.
EVENTO:
O Posto Samaritano Abolição, Vinculado ao Programa CVV de Apoio
Emocional e Prevenção ao Suicidio nos dias 09 e 10 de abril de 2011,
realizara curso para capacitação de novos voluntários da entidade. Nos
dois dias do evento o horario sera das 13hs às 19hs- Onde sera
apresentada a filosofia da entidade e a forma de conduta a ser seguida
pelo voluntário.
INSCRIÇÕES:
As inscrições podem ser feitas pessoalmente na sede da entidade na Rua
Abolição, 411- Bela Vista - SP em horário comercial ou pelo telefone
3242-4111 apos as 19hs00 ou via e-mail:
abolicao@postosamaritano.org.br ou  30 minutos antes do curso.
DURANTE A ATIVIDADE:
Durante a atividade - que é gratuita - haverá seleção dos interessados
em colaborar com a entidade. Para ser voluntário Samaritano, vinculado
ao Programa CVV Prevenção ao suicídio, Apoio Emocional e valorização
da vida, basta ter mais de 18 anos, ter disponibilidade de tempo
(média de 4 horas e meia por semana), disposição para ajudar o próximo
e abertura para o autoconhecimento e ser treinado.
INSTITUIÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS:
Instituição sem fins lucrativos os postos Samaritanos desenvolvem
trabalhos de apoio emocional por meio de contatos telefônicos,
atendimento pessoal, via correio, e-mail e mais recentemente, via
chat, no próprio site da entida de(www.cvv.org.br).
Obs: É necessário o comparecimento aos 2(dois) dias do evento.
Ver Cartaz do Evento em Anexo.
CONFIRA O ENDEREÇO:
http://www.cvv.org.br.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Estatística Braseleira - Gazeta do Sul

Casos de suicídio crescem 17,1% em dez anos
Brasília – Embora com números pouco expressivos no cenário internacional, os casos de suicídio no Brasil cresceram 17,1% no período analisado pela pesquisa do Instituto Sangari. Foi o maior aumento registrado entre as causas de morte por violência – que compreendem também acidentes de trânsito e homicídio. Em 1998, foram contabilizados 6.985 óbitos. Dez anos depois, o número passou para 9.328. A exemplo de outras formas de violência, o aumento foi constatado sobretudo em cidades do interior do Nordeste e entre grupo masculino – nos Estados, 79,1% dos suicidas são homens.
No Nordeste, a taxa de suicídio aumentou 80,1% no período analisado. O segundo maior crescimento foi apresentado pelo Centro-Oeste, com elevação de 31,1% nas taxas de morte. O fenômeno na região é atribuído sobretudo às mortes provocadas entre população indígena. Para se ter ideia, em 2008 foram registrados 100 suicídios de índios.
Apesar do aumento registrado no Nordeste, Rio Grande do Sul segue como o Estado com maior registros de suicídios no País. A taxa em 2008 era de 10,7 por 100 mil habitantes – um número considerado expressivo. (AE)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Suicídio e Loucura - Dr. Luiz Carlos Formiga






Suicídio e Loucura (*)

Era jovem professor e já me atrevia a fazer algumas palestras. 

Como dominava o conteúdo das doenças infecciosas, pois já tinha feito pós-graduação, procurava falar sobre esses assuntos. 

Houve um período em que a Hanseníase ganhou o seu lugar e no movimento espírita do Rio discutia-se “doenças kármicas”. 

Um pequeno texto, que enviei para o jornal O Globo, acabou virando editorial de uma revista de Patologia Clínica. Fez até parte do pronunciamento do Deputado Elias Murad. PTB-MG, Assembléia Nacional Constituinte na Câmara.(1)

Esses acontecimentos nos envernizaram o ego, que já brilhava intensamente após o doutorado. Como somos tolos! 

Pensamos que sabemos tudo, até de mediunidade, e ficamos perplexos diante de situações inusitadas. 

Foi assim que me senti, quase no final da palestra, após ter combatido o estigma da lepra e afirmado com veemência que “Hanseníase Tem Cura”.

A senhora que estava sentada na primeira fila, mediunidade bem trabalhada, não conseguiu resistir ao espírito e através da comunicação oral, em choro convulsivo, ele exclamou: “Eu não sabia que hanseníase tinha cura, foi por isso que me suicidei! 

Aquela cena não me saiu mais da retina. Hoje volto ao tema inspirado pelas revelações de Yvonne Pereira no Terceiro Congresso Espírita Brasileiro, abril de 2010.

Quando abrimos O Evangelho Segundo o Espiritismo (ESE) e estudamos “O Suicídio e a Loucura” vemos que o preservativo da razão é a serenidade e que as idéias materialistas (venenos) são excitantes ao suicídio.(*) 

É por isso que “não estou nem aí” para os que acham que fundar um Núcleo Espírita Universitário foi uma idéia elitista. “Os Homens de ciência devem se apoiar na autoridade do seu saber para procurar provar aos seus ouvintes, ou aos seus leitores, que eles têm tudo a esperar depois da morte, no novo estilo de vida.” 

Coloquei aspas porque fiz interpretação livre do item 16, do capítulo V, do ESE.
O item 20, do mesmo capítulo, fala do “dever do espírita de participar da vulgarização (divulgação) do Espiritismo, a luz sagrada que já começou a realização da regeneração do próprio divulgador.” 

Yvonne Pereira nos fala do aumento do número de suicidas. 

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro tem esse “espinho na carne”. No Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, 10 de setembro do ano passado organizou Seminário (2), que nós espíritas divulgamos.

Naquela palestra, o suicida pode expressar toda a sua dor e decepção. 

Ficamos de saia justa no primeiro momento, fomos apanhados de surpresa, No entanto, a platéia emocionada e em silêncio colaborou no “pronto socorro” que a direção da Casa lhe proporcionou.

Quantos por ignorância não estão chegando desta maneira aos cuidados de Yvonne? 

Que possamos cumprir o “dever de participar na vulgarização do Espiritismo.” Foi por isso que escrevi para determinada população-alvo o artigo: “Entendendo a Dor (e a Reencarnação), com Finalidade Pedagógica. Vai e não peques mais” (3).