Para quem pensa cometer um suicídio sem dor, alertamos que o suicida não o fará sem dor, muita dor.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O Suicídio pela visão Reencarnacionista

http://www.deldebbio.com.br/2014/02/08/o-suicidio-pela-visao-reencarnacionista/

deldebbio | 8 de fevereiro de 2014


O suicídio é a interrupção da vida (óbvio). Mas nesta frase se encontra a chave de todo o drama que o suicida passa após a morte. Assim como o mais avançado dos robôs, ou simples um radinho de pilha, o corpo também tem sua bateria, e um tempo de vida útil baseado nesta carga. De acordo com nossos planos (traçados do “outro lado”) teremos uma carga X de energia, que pode ser ampliada, se assim for necessário. Então, um atentado contra a vida não é um atentado exatamente contra Deus, mas contra todos os seus amigos, mentores ou engenheiros espirituais que planejaram sua encarnação nos mínimos detalhes, e contra a própria energia Divina que foi “emprestada” para animar seu veículo físico de manifestação: seu corpo. Equivale aos EUA gastar bilhões pra mandar um homem a Marte, e quando ele estivesse lá resolvesse voltar porque ficou com medo ou sentiu saudades de casa. Todos os cientistas envolvidos na missão ficarão P da vida, e com razão. Afinal, quando ele se candidatou para a missão estava assumindo todos os riscos, com todos os ônus e bônus decorrentes de um empreendimento deste tamanho. Quando esse astronauta voltar à Terra vai ter trabalho até pra conseguir emprego de gari. É mais ou menos assim no plano espiritual. Um suicida nunca volta pra Terra em condições melhores do que estava antes de cometer o autocídio.

Segundo Allan Kardec, codificador do espiritismo, “Há as conseqüências que são comuns a todos os casos de morte violenta; as que decorrem da interrupção brusca da vida. Observa-se a persistência mais prolongada e mais tenaz do laço que liga o Espírito ao corpo, porque este laço está quase sempre em todo o vigor no momento em que foi rompido (Na morte natural ele enfraquece gradualmente e, às vezes, se desata antes mesmo da extinção completa da vida). As conseqüências desse estado de coisas são o prolongamento do estado de perturbação, seguido da ilusão que, durante um tempo mais ou menos longo, faz o Espírito acreditar que ainda se encontra no mundo dos vivos. A afinidade que persiste entre o Espírito e o corpo produz, em alguns suicidas, uma espécie de recuperação do estado do corpo sobre o Espírito (ou seja, o espírito ainda sente, de certa forma, as ações que o corpo sofre), que assim se ressente dos efeitos da decomposição, experimentando uma sensação cheia de angústias e de horror. Este estado pode persistir tão longamente quanto tivesse de durar a vida que foi interrompida.

Assim é que certos Espíritos, que foram muito desgraçados na Terra, disseram ter-se suicidado na existência precedente e submetido voluntariamente a novas provas, para tentarem suportá-las com mais resignação. Em alguns, verifica-se uma espécie de ligação à matéria, de que inutilmente procuram desembaraçar-se, a fim de voarem para mundos melhores, cujo acesso, porém, se lhes conserva interditado. A maior parte deles sofre o pesar de haver feito uma coisa inútil, pois que só decepções encontram.”

Algumas máximas do espiritismo para o caso de suicídio:

As penas são proporcionais à consciência que o culpado tem das faltas que comete.
Não se pode chamar de suicida aquele que devidamente se expõe à morte para salvar o seu semelhante.

O louco que se mata não sabe o que faz.

As mulheres que, em certos países, voluntariamente se matam sobre os corpos de seus maridos, obedecem a um preconceito, e geralmente o fazem mais pela força do que pela própria vontade. Acreditam cumprir um dever, o que não é característica do suicídio. Encontram desculpa na nulidade moral que as caracteriza, em a sua maioria, e na ignorância em que se acham.

Os que hajam conduzido/induzido alguém a se matar terão de responder por assassinato, perante as Leis de Deus.

Aquele que se suicida vítima das paixões é um suicida moral, duplamente culpado, pois há nele falta de coragem e bestialidade, acrescidas do esquecimento de Deus.

O suicídio mais severamente punido é aquele que é o resultado do desespero, que visa a redenção das misérias terrenas.

Pergunta – É tão reprovável, como o que tem por causa o desespero, o suicídio daquele que procura escapar à vergonha de uma ação má?
Resposta dos espíritos – O suicídio não apaga a falta. Ao contrário, em vez de uma, haverá duas. Quando se teve a coragem de praticar o mal, é preciso ter-se a de lhe sofrer as conseqüências.

Será desculpável o suicídio, quando tenha por fim impedir a que a vergonha caia sobre os filhos, ou sobre a família?
O que assim procede não faz bem. Mas, como pensa que o faz, isso é levado em conta, pois que é uma expiação que ele se impõe a si mesmo. A intenção lhe atenua a falta; entretanto, nem por isso deixa de haver falta. Aquele que tira de si mesmo a vida, para fugir à vergonha de uma ação má, prova que dá mais apreço à estima dos homens do que à de Deus, visto que volta para a vida espiritual carregado de suas iniqüidades, tendo-se privado dos meios de repará-los aqui na Terra. O arrependimento sincero e o esforço desinteressado são o melhor caminho para a reparação. O suicídio nada repara.

Que pensar daquele que se mata, na esperança de chegar mais depressa a uma vida melhor?
Outra loucura! Que faça ele o bem, e mais cedo irá lá chegar, pois, matando-se, retarda a sua entrada num mundo melhor e terá que pedir lhe seja permitido voltar, para concluir a vida a que pôs termo sob o influxo de uma idéia falsa.

Não é, às vezes, meritório o sacrifício da vida, quando aquele que o faz visa salvar a de outrem, ou ser útil aos seus semelhantes?
Isso é sublime, conforme a intenção, e, em tal caso, o sacrifício da vida não constitui suicídio. É contrária às Leis kármicas todo sacrifício inútil, principalmente se for motivada por qualquer traço de orgulho. Somente o desinteresse completo torna meritório o sacrifício e, não raro, quem o faz guarda oculto um pensamento, que lhe diminui o valor aos olhos de Deus. Todo sacrifício que o homem faça à custa da sua própria felicidade é um ato soberanamente meritório, porque resulta da prática da lei de caridade. Mas, antes de cumprir tal sacrifício, deveria refletir sobre se sua vida não será mais útil do que sua morte.

Quando uma pessoa vê diante de si um fim inevitável e horrível, será culpada se abreviar de alguns instantes os seus sofrimentos, apressando voluntariamente sua morte?
É sempre culpado aquele que não aguarda o termo que Deus lhe marcou para a existência. Não há culpabilidade, entretanto, se não houver intenção, ou consciência perfeita da prática do mal.

Conseguem seu intento aqueles que, não podendo conformar-se com a perda de pessoas que lhes eram caras, se matam na esperança de ir juntar-se a eles?
Muito ao contrário. Em vez de se reunirem ao que era objeto de suas afeições, dele se afastam por longo tempo.

Fonte:
Livro dos espíritos (com algumas alterações)

—————

Alguns exemplos de efeitos de suicídios na nova vida, como constam no livro As vidas de Chico Xavier:

- Chico, minha filha, de 5 anos, é portadora de mongolismo, mas eu acho que ela está sendo assediada por espíritos.
Chico descartava a hipótese “espiritual” e encaminhava mãe e filha à fila de passes. Elas viravam as costas, e ele confidenciava a um amigo:
- Os espíritos estão me dizendo que essa menina, em vida anterior recente, suicidou-se atirando-se de um lugar muito alto.

Outra mãe se aproximava e reclamava do filho, também de 5 anos:
- Ele é perturbado. Fala muito pouco e não memoriza mais que 5 minutos qualquer coisa que nós ensinamos.
Quando os dois estavam a caminho da sala de passes, Chico confidenciava:
- Na última encarnação, esse menino deu um tiro fatal na própria cabeça.

Outro caso, ainda mais chocante:
- Meu filho nasceu surdo, mudo, cego e sem os dois braços. Agora está com uma doença nas pernas e os médicos querem amputar as duas para salvar a vida dele.
Chico pensava numa resposta, quando ouviu o vozeirão de Emmanuel:
- Explique à nossa irmã que este nosso irmão em seus braços suicidou-se nas dez últimas encarnações e pediu, antes de nascer, que lhe fossem retiradas todas as possibilidades de se matar novamente. Agora que está aproximadamente com cinco anos de idade, procura um rio, um precipício para se atirar. Avise que os médicos estão com a razão. As duas pernas dele serão amputadas, em seu próprio benefício.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Suicídio: Saiba os 20 sinais que mostram que pessoa pode se matar

Como falei no post anterior - Suicídio: o que você precisa saber para lidar com essa situação antes que seja tarde demais - a pessoa que tem pensamentos suicidas deixa vários sinais antes mesmo de partir para execução do ato e todos esses sinais são quase sempre reconhecíveis e previsíveis. Por isso, todos os esforços precisam ser feitos para identificarmos o quanto antes esses sinais para poder oferecer ajuda e tratamento, para tentar impedir o ato suicida. Quanto mais cedo for o diagnóstico, o tratamento terapêutico e prevenção daquelas pessoas que emitem gestos ou tentativas de suicídio, maiores são as chances de evitarmos uma tragédia maior.

Sabemos que tentativas e atos suicidas são gritos de ajuda. Ainda que inconscientemente as pessoas choram por socorro ao emitir todos os sinais que preanunciam os planejamentos ou ideias de tirar a própria vida. O grade prejuízo em tudo isso é que muitas pessoas na nossa cultura costumam rotular esses sinais como meras tentativas de chamar a atenção e, muito por isso, ignoram os sinais ou quando se dão conta do risco que eles anunciam; já é muito tarde e nada mais pode ser feito. Por isso essas “comunicações” precisam sempre ser consideradas, pois, muitas vezes, elas podem conduzir para  comportamentos impulsivos ou imaturos e, possivelmente, para o suicídio.

suicidio

Como nas relações de convivência com as pessoas sempre podemos entender e conhece-las melhor, eis aqui uma lista com os 20 sinais que frequentemente são apresentados pelas pessoas que têm potencial para cometer o suicídio. Nessa lista, encontram-se fortes fatores importantes com relação a idade, sexo,  sexualidade, saúde, família, bem estar, estado físico e fatores psicossociais.

20 sinais que uma pessoa demonstra antes de cometer o suicídio*

1. Tentativa anterior de suicídio, com intenção de morrer;
2. Ansiedade, depressão, alcolismo, quadro psicótico e estado de exaustão;
3. Tentativa premeditada e ativamente preparada;
4. Disponibilidade dos meios para o suicídio (recursos e métodos violentos e letais à disposição: remédios, armas…);
5. Preocupação com o efeito do suicídio sobre os membros da família;
6. Ideação suicida verbalizada aos parentes ou amigos;
7. Preparação de testamento, cenas de despedida ou planejamento do velório;
8. Acontecimento traumático próximo, como: luto, cirurgia iminente, término de relacionamento amoroso, dentre outros fatores;
9. Casos de suicidio na família;
10. Mudança das condições de saúde ou estado físico: doença crônica, acidente com sequelas físicas…;
11. Inicio ou término de tratamento com medicação psicotrópica;
12. Intoxicação por álcool ou outras drogas;
13. Sentimento de desesperança, pessimismo, sentimento de inferioridade constante, auto estima baixa, sentimento de culpa;
14. Melhora súbita do humor depressivo;
15. Família suicidogênica (facilita ou ignora os sinais e tentativas de suicídio);
16. Preocupação para evitar intervenção: como isolamento ou minimização do risco de descoberta;
17. Nenhuma ação para pedir socorro após alguma tentativa que não tenha levado à morte;
18. Pessoa com remorso por sobreviver da tentativa;
19. Idade, sexo e estado civil;
20.Conflitos ou insegurança com a sexualidade: homossexualidade, impotência sexual…



tentando se matar

Esteja sempre atento a si mesmo e as pessoas próximas (parentes, amigos, conhecidos…) quanto a manifestação desses e de outros sinais e comportamentos que podem refletir uma possibilidade de suicídio. Embora realmente existam muitos casos em que a pessoa usa ou simula uma tentativa de tirar a própria vida pra chamar a atenção, possa ser que numa dessas investidas uma tragédia efetivamente aconteça. Por isso nunca ignore nenhum desses pedidos de socorro que são feitos com palavras e ações da lista acima.

* Meleiro AMAS, Wang Y-P. Suicídio e tentativa de suicídio. In Louzã Neto MR, Motta I, Wang Y-P, Elkis H (eds).Psiquiatria básica. Porto Alegre, Artes Médicas, 1995; 376-96.

Dr. Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842 7744 - Salvador – Bahia
elidioalmeida.com

http://elidioalmeida.com/2014/02/suicidio-saiba-os-20-sinais-que-mostram-que-pessoa-pode-se-matar/

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Psiquiatra de Botucatu acredita que suicídio tem prevenção


http://www.jcnet.com.br/Regional/2013/12/psiquiatra-de-botucatu-acredita-que-suicidio-tem-prevencao.html


Do JCnet.com.br

Psiquiatra de Botucatu acredita que suicídio tem prevenção
Rita de Cássia Cornélio
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Diante de situações difíceis da vida, já passou pela cabeça de muitas pessoas a ideia de “sair de cena” e deixar que as coisas aconteçam sem a sua presença. Para algumas, infelizmente o pensamento se concretiza. Em momentos de extremo desespero e descontrole, elas se jogam de prédios, viadutos, pontes. Ou ingerem algum tipo de medicamento ou substância que as leva à morte.  Para o médico psiquiatra professor da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp/Botucatu) e consultor da Organização Mundial de Saúde (OMS) José Manoel Bertolote, há como prevenir o suicídio.

No “ranking dos suicidas”, os homens são campeões. “Em geral, há três a quatro suicidas homens para cada mulher. Apesar do predomínio estar entre os idosos, cresce entre os jovens por conta da depressão, uso indevido de álcool, esquizofrenia. A maioria das pessoas que se suicida tem diagnóstico de doença psiquiátrica”, afirma.

No Brasil, mais de mil pessoas foram internadas entre janeiro e fevereiro/2013 após tentarem o suicídio. Dados do Ministério da Saúde apontam que no País são 26 casos por dia no mesmo período. O suicídio figura como o quarto motivo entre as mortes por causas externas, perdendo para os homicídios, acidentes de transporte e causas não identificadas.

Para Bertolote, é possível mapear as pessoas que têm comportamentos suicidas, identificá-las e ajudá-las a superar a situação, antes que ela chegue ao intento. Autor do livro “O Suicídio e sua Prevenção”, o psiquiatra é um estudioso do assunto. Recebeu o prêmio Ringel Service Award, da Internacional Association for Suicide Prevention, órgão da OMS.

Grande parte daqueles que pensam em se matar quer apenas chamar a atenção, especialmente nessa época do ano em que as pessoas sentem mais a solidão. Nos sites de autoajuda e de psicologia não é difícil encontrar pessoas desesperadas e pedindo auxílio para isso. Há endereços eletrônicos também que incentivam os interessados a colocar fim em tudo.

Em Botucatu, o assunto é tratado com muita seriedade e profundidade. Uma pesquisa feita em 2009 mostrou que 95,7% das ocorrências de suicídio foram registradas na zona urbana, no período vespertino.

O suicida, em 89,4% dos casos, escolheu a própria casa para se matar. A maioria das vítimas eram donas de casa, com 25,5% das ocorrências, seguidas de estudantes com 17%, vendedores com 6,4% e faxineiras com 5,3%. Em 25,5% dos casos, a pessoa tinha registro na carteira profissional.

O estudo revelou ainda que 31,9% dos suicidas de Botucatu utilizaram o envenenamento para conseguir o seu objetivo. A intoxicação figurou em segundo lugar, com 16%. As vítimas eram solteiras em 26,6% dos casos, enquanto 14,9% eram casadas. Ao contrário do que muitos  imaginam, 93,6% delas eram brancas, 3,2% negras e 2,1% eram pardas.

Para Bertolote, a humanidade interpretou o suicídio ao longo da história passando do domínio filosófico (suicídio de honra, ou altruísta), o domínio teológico (pecado) ao domínio da saúde (sobretudo da saúde pública), embora permaneça tema de interesse de filósofos, juristas, sociológos, teológos psicólogos, antropólogos etc.
 
Taxa de suicídio no Brasil é baixa
Segundo psiquiatra, a maior parte dos casos ocorre entre pessoas com algum transtorno mental, como a depressão
A taxa de suicídio no Brasil é relativamente baixa na avaliação do médico psiquiatra da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, José Manoel Bertolote. “Menos de oito mortes por 100.000 habitantes por ano. Contudo, devido ao tamanho da população, há cerca de 10.000 casos de suicídio todos os anos no País.”

Bertolote, que é autor do livro “O Suicídio e sua Prevenção”,  explica que não há um comportamento padrão que defina se uma pessoa quer chamar a atenção ou realmente quer colocar fim à vida.

“Qualquer ameaça ou anúncio de intenção suicida deve ser levado muito a sério. Antes do desfecho, não há como saber qual resultará em morte e qual não. Atualmente, fala-se em comportamentos suicidas, entendendo-se por isso as tentativas de suicídio e os suicídios consumados. Assim, não há comportamentos que remetam ao suicídio; ele é o próprio comportamento.”

Para o professor, não há como mapear as pessoas que estão passando por comportamentos suicidas para removê-las da ideia. “O suicídio é um processo que tem início com ideias vagas de morte. Se cristalizam em ideias de suicídio, em seguida há uma etapa de planejamento (planos de suicídio), que pode passar a um ato suicida, que poderá resultar em morte (suicídio) ou não (tentativa).”

Na opinião dele, é possível identificar os fatores predisponentes e precipitantes de risco desses comportamentos suicidas. “Porém, nunca se pode ter certeza quando ocorrerá a passagem ao ato. Se pudermos interceptar esse processo o quanto antes, melhor. Estaremos em condição de poder revertê-lo, ou fazer sua prevenção.”

Bertolote ressalta que os principais fatores de risco predisponentes são alguns transtornos mentais. “No Ocidente, de onde provém a maior parte das pesquisas, mais de 95% das pessoas que cometeram suicídio eram portadoras de algum transtorno mental, dos quais os mais frequentes são a depressão, o alcoolismo, certos transtornos de personalidade e a esquizofrenia.”

Além desses, há outros fatores de risco precipitantes. “Em geral, tomados erroneamente pelos leigos como “a causa” do suicídio, dos quais os mais importantes são as perdas (reais ou simbólicas), de bens materiais, de afetos, de pessoas, do emprego, da honra etc. Finalmente, outro importante fator de risco é um “padrão cultural” que facilita o suicídio (como o dos kamikaze japoneses, ou dos homens-bomba).”
 
Busca por explicações
 
Quando alguém consegue seu intento e põe fim à vida, de três a 10 pessoas da família e amigos sofrem com o impacto, segundo o psiquiatra José Manoel Bertolote. A partir de então, esses familiares e amigos passam a buscar uma explicação.  

“O suicídio de um ente querido pode deixar marcas por toda a vida nos que ficam. De início, há uma busca desesperada por uma explicação, uma mistura de culpa (“onde foi que falhei?”) e de raiva (“por que fez isso comigo?”), que aos poucos é substituída por um sentimento de vazio e de falta da pessoa que se foi”, descreve.
 
Casos são mais comuns entre esquizofrênicos
 
A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica. Um dos principais sintomas são as alucinações e delírios. A pessoa ouve vozes que ninguém escuta e imagina estar sendo vítima de um complô diabólico, e não há bom senso que a convença do contrário. Antigamente, esses indivíduos eram colocados em sanatórios, porque pouco se sabia a respeito da doença.

Segundo o médico José Manoel Bertolote, o suicídio mais comum entre pessoas com esquizofrenia (sobretudo jovens) é o que ocorre logo após a alta de uma internação psiquiátrica ou a melhora de uma recaída, quando a pessoa percebe que esse padrão (de recaídas graves) é um perspectiva muito provável para o restante de sua vida.
 
26 suicídios/dia
 
De acordo com dados do Ministério da Saúde, nos primeiros meses de 2013 foram registrados 26 casos por dia de suicídio no Brasil. Nos últimos 25 anos, segundo dados da Datasus (banco de dados único de Saúde), o aumento no número de suicídios no País foi de 30%. Outro dado alarmante é que a quase totalidade dos suicídios ocorre na zona urbana.

O suicídio predomina entre as pessoas do sexo masculino, jovens e idosos por conta da depressão, uso indevido de álcool e a esquizofrenia - são fatores que determinam ou que influenciam a pessoa ao ato suicida.

Por outro lado, há os fatores de proteção, que até certo ponto, contrabalançam ou anulam os efeitos de fatores de risco. Entre os fatores de proteção, os mais importantes são vínculos afetivos e religiosidade, ressalta Bertolote.

Para ele, não há uma explicação única para a predominância do suicídio entre homens idosos, mas certamente a alta prevalência de depressão e o relativo isolamento social e afetivo (há mais viúvas - solidárias entre si - do que viúvos - solitários, no mais das vezes) têm um peso importante.

 “A presença de uma série de outras doenças físicas, em geral crônicas, incuráveis e/ou incapacitantes, como doenças cardíacas, neurológicas, neoplásicas ou dolorosas, agrava a situação dos idosos”, diz o psiquiatra.
 
Problema de saúde pública
Segundo a OMS, 90% dos casos podem ser evitados com rede de apoio
O suicídio é um problema de saúde pública, segundo o consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS) José Manoel Bertolote. “Sobretudo, por ser uma forma de óbito, por ser muito frequente - cerca de 900.000 por ano, segundo a OMS -, mais do que todas as mortes devidas a guerras e homicídios em todo o mundo, e por ser previsível”, diz.

Para a OMS, 90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos, desde que existam condições mínimas para a oferta de ajuda voluntária ou profissional. O Centro de Valorização da Vida (CVV) é um grupo de voluntariado que oferece serviços gratuitos de prevenção ao suicídio.

De acordo com eles, pelo menos 25 pessoas tiram a própria vida diariamente no Brasil e pelo menos outras 50 tentam o suicídio. Por isso, o Ministério da Saúde considera o problema como de saúde pública. No site cvv.org.br há indicação das cidades, em todo o País, onde há atendimento e seus respectivos telefones. Para a entidade, chama a atenção o crescimento dos casos de suicídio entre jovens, ocupando a terceira causa de morte na faixa etária de 15 a 35 anos no Brasil.

Segundo Bertolote, nos países bálticos (Lituânia, Estônia e Letônia) e seus vizinhos, antigas repúblicas soviéticas (Rússia, Bielorrússia e Ucrânia), o número de suicídios é maior. “A presença de um ‘padrão cultural’ facilitador do suicídio e o altíssimo consumo de bebidas alcoólicas já foram identificados por diversos pesquisadores como fatores de peso para essas altas taxas.”

Mas como prevenir o suicídio? Esta é a pergunta que não se cala, especialmente para aqueles que já tiveram amigos ou parentes que colocaram fim à vida sem ao menos deixar uma justificativa, uma explicação para o ato extremo. Bertolote enfatiza que é difícil responder suscintamente a uma pergunta que pode ter muitas respostas. Ele diz que em sua  biblioteca tem diversos livros (alguns com cerca de mil páginas) exclusivamente sobre  a prevenção ao suicídio. “Entretanto, a Organização Mundial da Saúde preconiza quatro medidas básicas de prevenção do suicídio”.

A primeira delas é o tratamento adequado dos transtornos mentais, controle de substâncias tóxicas (pesticidas, medicamentos etc), controle de armas de fogo, comportamento adequado da mídia, evitando o sensacionalismo e a glorificação do suicídio.
 
 

Livro sobre Suicídio

http://www.mundomaior.com.br/suicidio-a-somba-trilha-da-ilus-o.html#.UrGQRvRDvt0

domingo, 8 de dezembro de 2013

Suicídio Inconsciente

Suicídio Inconsciente - Instituto Chico Xavier - Richard Simonetti.

A cortina fúnebre, à porta, anuncia o velório. Sobre a mesa, em sala de regulares proporções, está a urna funerária em que um homem dorme seu último sono. Não terá mais de 45 anos…

Ao lado, a viúva, inconsolável, recebe condolências. Muitos repetem, à guisa de conforto, as clássicas palavras: “Chegou sua hora... Deus o levou!...”

Piedosa mentira! Aquele homem foi um suicida! Aniquilou-se, lentamente, fazendo uso desse terrível corrosivo que se chama irritação. Incapaz de sofrer impulsos violentos, eterno repetente nos exames de compreensão, favoreceu a evolução de distúrbios circulatórios, culminando com a trombose coronária fulminante que lhe abreviou os dias!
A máquina física possuía vitalidade para mais vinte anos, no mínimo. Duas décadas perdidas na Escola da Reencarnação! Regressa ao plano espiritual enquadrado no suicídio inconsciente, que lhe imporá longo período de perturbação e sofrimento nas regiões umbralinas.
Raros, segundo André Luiz, os que atingem a condição de completistas, isto é, que aproveitam, integralmente, experiências humanas, estagiando na carne pelo tempo que lhes fora concedido. E há muitas maneiras de auto aniquilar-se em prestações.
A atualidade terrestre é de pleno domínio das sensações, em que a criatura humana pretende, com a satisfação dos senti¬dos, compensar suas frustrações ou libertar-se da tensão, males próprios de uma sociedade que atinge culminâncias no campo material, mas permanece subdesenvolvida moralmente.
Sob a orientação da propaganda mercenária, multidões buscam a maneira mais agradável de minar as defesas orgânicas com álcool, cigarro, excessos à mesa. Muitos resvalam para as drogas, ante as perspectivas da tranquilidade artificial ou da euforia ilusória, sempre seguidos pelo inferno da dependência e comprometedores desajustes físicos.
E há os vícios mentais: hipocondríacos, que tanto imaginam enfermidades que acabam vitimados por elas; melancólicos, que recusam às células físicas o indispensável suprimento de energias psíquicas; maledicentes, que se envenenam com o mal que julgam identificar nos outros; rebeldes que rompem as próprias entranhas com os ácidos da inconformação e do pessimismo; apegados aos bens terrenos, que sobrecarregam o veículo carnal com preocupações injustificáveis...
Para que o Espírito reencarnado transite em segurança na Terra, movimentam-se, no plano espiritual, familiares, amigos, instrutores, médicos e enfermeiros que o amparam e protegem, orientam e socorrem em todas as circunstâncias.
No entanto, apesar de tantos cuidados, seus pupilos, com raras exceções, são expulsos do vaso físico, depois de o haverem destruído de fora para dentro, com a intemperança, e de dentro para fora, com a má direção que imprimem à vida mental.
Haverá sempre quem proclame que semelhantes observações estão impregnadas do ranço de puritanismo retrógrado, sem considerar que são inevitáveis conclusões a que não se pode furtar quem estima a lógica.
Se a roupagem carnal é concessão divina que nos permite abençoado aprendizado nas asperezas do mundo, por que não preservá-la, observando disciplinas que a própria Medicina demonstra serem indispensáveis à estabilidade orgânica?
Cercado por dezenas de visitantes, após a reunião mediúnica, na Comunhão Espírita Cristã, em Uberaba, dizia Chico Xavier:
– Meus irmãos, quando eu psicografava o livro Nosso Lar, tive, muitas vezes, a visão de milhares de Espíritos que aguardavam, há longo tempo, a oportunidade de reencarnar, ansiosos pelo reajuste. Respeitemos o corpo que o Senhor nos concedeu, porque não será fácil uma nova oportunidade. Tenhamos cuidado com os enganos do mundo e, sobretudo, estimemos a serenidade. Se alguém nos der uma alfinetada, digamos: Obrigado por me espetar com um alfinete novo! Eu merecia um enferrujado!
A visão do querido médium é um convite a sérias reflexões, e a singela alegoria do alfinete consagra a Humildade. O homem verdadeiramente humilde, que conhece suas fragilidades e reconhece a grandeza de Deus, faz-se, espontaneamente, servo da compreensão e da tolerância, da simplicidade e da fraternidade, sobrepondo-se aos lamentáveis desvios que conduzem multidões desvairadas aos precipícios do suicídio inconsciente.

Fonte: http://www.institutochicoxavier.com/informativo/atualidades/1344-suicidio-inconsciente.html