Lya Luft
Não tenho a menor tolerância com a figura do pai e marido boçal, que usa o stress no trabalho como desculpa para gritar ou distribuir bofetões em casa. Nunca vi nem escutei um homem batendo numa mulher. Mas histórias a respeito, ah, muitas pululavam em comentários dos adultos, e nas minhas fantasias de criança com excesso de imaginação, que aumentava encantos e pavores.
Relatos como o do homem que regularmente se embebedava e batia na mulher, os dois já de cabelos brancos. Os vizinhos incomodados às vezes reclamavam, mas todos tinham medo dele e, afinal “a gente não quer se meter”. Os filhos adolescentes do casal se refugiavam no fundo do pátio, os menorzinhos choravam. Até que um dia um deles, crescido, se meteu entre os dois velhos, e disse: “Na minha mãe você não bate mais. Ou eu te bato também”. Minha memória diz que o rapaz foi expulso de casa e nunca mais o viram. A mãe recebeu disfarçados parabéns quando, tempos depois, o velho cruel morreu, mas comentava-se que estava abalada. Porque “mulheres são assim”. Será?
Por que uma mulher aceita apanhar do parceiro ou ser humilhada por ele, controlada, ironizada? Por que admite ser tratada com grosseria pelo filho homem? O que deixou em nós, as remanescentes das cavernas, essa marca feia e triste, essa deformidade que cola com a deformidade do ex-troglodita às vezes assassino? É um dos mistérios humanos, nem todos engraçados ou curiosos, que talvez nunca se expliquem.
Não sei por que a brutalidade masculina e a submissão feminina fariam parte de nossa estrutura psíquica ou de qualquer cultura. Mas não desconheço a ideia de que o homem se cansa em trabalho sério, e a mulher se distrai em casa com as crianças e as lides domésticas, às vezes, quem sabe, com um empreguinho “fora” - sem direito a stress. A esta altura, matam-se no Brasil cerca de dez a doze mulheres por dia. Não morte por assalto ou acidente de carro: assassinato na mão do parceiro. Em certos lugares a exp0licação para os maus-tratos é simplória: “Os homens são assim”, e pronto. Ou: “Mas ele não te deixa faltar nada” - significando trapos para se cobrir, restos para comer temperados com lágrimas e solidão.
Para haver um opressor, dizemos, é preciso haver um oprimido. A mulher-vítima é quem dá coragem ao truculento. O jogo sadomasoquista funciona quando há pelo menos dois parceiros. Por que tantas vezes essa parceria mortal? A maioria dos homens não é psicopata nem boçal. Não se alegra na dor da parceira, não precisa lhe bater com palavras, atitudes ou punho fechado para se sentir mais homem.
O que leva uma jovenzinha aceitar, no começo ou no meio de uma relação, a brutalidade masculina, numa frequência absurda? Cresceu em 90% nos últimos tempos o número de mulheres que pedem socorro, no país inteiro, nas delegacias da mulher ou grupos afins. Porém, esses locais são insuficientes ou mal equipados, faltam funcionários, psicólogos, médicos, juízes, computadores. As famílias nem sempre ajudam; amigos não querem interferir; a lei é vaga ou descumprida. A sociedade omissa desvia o rosto.
Enquanto os pedidos de ajuda se multiplicam, as vítimas já tendo coragem de se queixar, querendo recuperar sua dignidade ou salvar sua vida, a espera é tão longa e a punição tão branda que o facínora realiza seu desejo animal: matar a indefesa. O pavoroso fim de mais uma jovem por estes dias, que horroriza, comove e assusta o país inteiro e chega ao exterior, destaca em nosso cotidiano de crueldade e medo o fato vergonhoso de ainda sermos massacradas, humilhadas, muitas vezes mortas pelas mãos dos nossos homens. E, se é assim, junto com tantos milhares de pessoas que querem ver o fim disso, eu proponho: enquanto indivíduos, vamos ficar atentos, vamos denunciar, ajudar, vamos agir. Enquanto sociedade, vamos prevenir, impor leis severas, e socorrer as vítimas – tirando dos brutos e psicopatas seu reinado de horror.
Lya Luft é escritora
Revista VEJA, 21 de julho de 2010
Para quem pensa cometer um suicídio sem dor, alertamos que o suicida não o fará sem dor, muita dor.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
terça-feira, 27 de julho de 2010
Sinais avisam que o amado pode virar algoz, afirmam especialistas
RENATA RODE
Colaboração para o UOL
Estima-se que mais de 2 milhões de mulheres são espancadas a cada ano por maridos ou namorados, atuais ou antigos
Dependência econômica impede que vítimas deixem parceiros violentos, diz estudo"Taty, eu amo o Rodrigo, sei que ele me bate porque tenho alguma culpa nisso tudo." Esse é um trecho do e-mail enviado pela médica paulista Glaucianne Hara, dias antes de sua morte. Ela conversava com sua psicanalista e amiga, Tatiana Ades, sobre o relacionamento que mantinha com o marceneiro gaúcho Rodrigo Fraga da Silva, assassino confesso da parceira.
A médica paulista Glaucianne Hara foi morta dia 5 de junho a facadas em frente ao hotel Bauer, na cidade de Torres, no litoral norte do Rio Grande Sul. O marceneiro Rodrigo Fraga da Silva se apresentou à polícia e assumiu a autoria do crime. Ele é casado e mantinha com a vítima um relacionamento conturbado havia três anos.
A frase do início do texto resume a história recorrente de mulheres que se envolvem em relacionamentos suicidas, vivem dias de terror e até têm a vida interrompida por tal decisão. A mídia tem relatado também os casos da advogada Mércia Nakashima e da modelo Eliza Samudio e a pergunta que fica no ar é: há como prever um ato de tamanha violência por comportamentos ou atitudes do companheiro?
Estou te ligando para dizer que dessa vez acabou, acabo de sair de um coma... Ele me chutou e me bateu tanto que fiquei em coma e perdi os movimentos de uma perna. Quero me dedicar aos meus filhos pequenos, agora basta", diz Glaucianne à amiga. E duas semanas depois, o discurso muda: "A verdade é que não consigo, vou atrás dele de novo, ele deve ter tido motivos para fazer o que fez...
Sim, segundo a psicanalista Tatiana Ades, autora do livro “Hades - Homens que Amam Demais” (Editora Isis), que, depois de ouvir tantos casos em consultório e sofrer a perda da amiga Glaucianne dias atrás, comanda um movimento de consciência feminina contra a violência. “Centenas de mulheres morrem por causa de amor patológico, seja porque se matam, seja porque se envolvem com sociopatas. É o que chamo de cegueira emocional: uma codependência que promove a incapacidade de lidar com o outro de forma saudável. Quem vê de fora tem a sensação de que a mulher é ‘burra’, mas o fato principal é que essa ‘burrice emocional’ é uma doença, e o sofrimento é enorme”, explica a especialista.
Alertas
No caso específico da médica assassinada, a psicanalista aponta vários fatores que servem como alerta de que algo não vai bem. “A velha história de que quem fala não faz é pura mentira. O homem dá diversos sinais verbais de que poderá cometer um crime passional ou uma futura agressão física. O simples fato de dizer que irá fazer já é uma ameaça e uma coação, uma forma de intimidar e chantagear a vítima, deixando-a assustada. Essa é uma das características de homens frios, dominadores, narcisistas e, muitas vezes, sociopatas”, afirma Tatiana.
Os números da violência contra a mulher são alarmantes. No Brasil, uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo revela que a cada 15 segundos uma mulher é agredida. Estima-se que mais de 2 milhões de mulheres são espancadas a cada ano por maridos ou namorados, atuais ou antigos.
Os especialistas advertem que pequenas atitudes denunciam um gráfico crescente de agressão dentro de uma relacionamento. O homem que começa a gritar ou a xingar a companheira certamente no futuro pode machucá-la fisicamente. “Se um tapa vier, esteja certa de que muitos outros o seguirão. Qualquer tipo de agressão serve de alarme, porém o que acontece é que a própria mulher, cega pela paixão, quer justificar os atos - mesmo que errados - do seu amado”, diz Tatiana.
Toda forma de controle exacerbado sobre o comportamento do outro é uma expressão de violência. Nas relações entre casais, o controle de ligações telefônicas, correspondências por e-mail, horários e vestuário pode ser o estopim da violência a partir do momento em que a mulher não aceita mais isso
Wania Pasinato, socióloga e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da USPEm São Paulo, quase 60% dos homicídios são cometidos por pessoas sem histórico criminal e por motivos fúteis. A socióloga e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP (Universidade de São Paulo), Wania Pasinato, acredita que a violência contra a mulher ganhou grande expressão pública principalmente depois da Lei Maria da Penha, instituída em 2006. “Hoje, diversas campanhas procuram estimular mulheres a procurarem as instituições. É preciso ter consciência de que esse é um problema público, de políticas públicas”, declara.
É necessário apontar que a violência contra a mulher não aumentou necessariamente. A mídia dá destaque a alguns casos porque envolvem pessoas famosas ou porque os crimes têm requintes de crueldade, mas a verdade é que a violência sempre existiu. Mas, em um país de cultura machista, o fato não ganhou destaque durante muito tempo. Além desse cenário cultural, há outro fato que contribui para a violência contra a mulher: o vínculo amoroso. “Nós estamos falando de violências que ocorrem no interior de relacões afetivas. Essas mulheres foram agredidas por homens que elas nutriam sentimentos, por quem elas queriam de alguma forma em suas vidas e, quando se veem um relacionamento dessa natureza, não conseguem enxergar a necessidade de escape da situação”, analisa Wania.
Sem contar que muitas mulheres veem a violência como uma expressão de amor, já que existem diversos tipos de violência: a do controle, a do ciúme, a da posse. “Esse pensamento cria amarras para que elas permaneçam nesse tipo de relacionamento. Sair disso não é uma decisão fácil e, às vezes, é algo praticamente impossível para a mulher”, diz Wania. Ela ainda lembra que é fácil deslizar nesse campo e acusar a mulher por ter feito tal escolha. “Não podemos penalizá-la por ter tido esse comportamento porque ela vai atrás do que acredita. A própria Eliza estava cobrando um direito que ela tinha, do reconhecimento de paternidade de um filho que ela não fez sozinha”, afirma.
Ajuda online
Rejeitadora ou rejeitada, quase sempre é a mulher que leva a pior, por isso vou ficar rouco de tanto repetir: afastem-se do agressor
José Geraldo em sua comunidade no OrkutPensando em melhorar o quadro caótico da violência, José Geraldo da Silva, recepcionista de um fórum de São Paulo, resolveu criar, em 2005, a comunidade “Contra Violência à Mulher” no Orkut. Hoje, mais de 52 mil pessoas trocam experiências, desabafos e conselhos por intermédio dessa ferramenta. “Depois de ouvir dia a dia queixas e relatos de mulheres que sofriam nas mãos de seus companheiros, decidi fazer minha parte promovendo informações e trocas de experiências na rede social. Sou da época em que, quando o homem batia na mulher, ele pagava com cestas básicas. Hoje, com a Lei Maria da Penha, o quadro melhorou um pouco, mas ainda não é o ideal, pois o problema é cultural dos dois lados: é comum o homem agredir a mulher e é normal ela aceitar a agressão”, afirma José. E complementa: “Na minha rotina, acompanho casos de mulheres que partem para a denúncia só depois da agressão número 30”.
Colaboração para o UOL
Estima-se que mais de 2 milhões de mulheres são espancadas a cada ano por maridos ou namorados, atuais ou antigos
Dependência econômica impede que vítimas deixem parceiros violentos, diz estudo"Taty, eu amo o Rodrigo, sei que ele me bate porque tenho alguma culpa nisso tudo." Esse é um trecho do e-mail enviado pela médica paulista Glaucianne Hara, dias antes de sua morte. Ela conversava com sua psicanalista e amiga, Tatiana Ades, sobre o relacionamento que mantinha com o marceneiro gaúcho Rodrigo Fraga da Silva, assassino confesso da parceira.
A médica paulista Glaucianne Hara foi morta dia 5 de junho a facadas em frente ao hotel Bauer, na cidade de Torres, no litoral norte do Rio Grande Sul. O marceneiro Rodrigo Fraga da Silva se apresentou à polícia e assumiu a autoria do crime. Ele é casado e mantinha com a vítima um relacionamento conturbado havia três anos.
A frase do início do texto resume a história recorrente de mulheres que se envolvem em relacionamentos suicidas, vivem dias de terror e até têm a vida interrompida por tal decisão. A mídia tem relatado também os casos da advogada Mércia Nakashima e da modelo Eliza Samudio e a pergunta que fica no ar é: há como prever um ato de tamanha violência por comportamentos ou atitudes do companheiro?
Estou te ligando para dizer que dessa vez acabou, acabo de sair de um coma... Ele me chutou e me bateu tanto que fiquei em coma e perdi os movimentos de uma perna. Quero me dedicar aos meus filhos pequenos, agora basta", diz Glaucianne à amiga. E duas semanas depois, o discurso muda: "A verdade é que não consigo, vou atrás dele de novo, ele deve ter tido motivos para fazer o que fez...
Sim, segundo a psicanalista Tatiana Ades, autora do livro “Hades - Homens que Amam Demais” (Editora Isis), que, depois de ouvir tantos casos em consultório e sofrer a perda da amiga Glaucianne dias atrás, comanda um movimento de consciência feminina contra a violência. “Centenas de mulheres morrem por causa de amor patológico, seja porque se matam, seja porque se envolvem com sociopatas. É o que chamo de cegueira emocional: uma codependência que promove a incapacidade de lidar com o outro de forma saudável. Quem vê de fora tem a sensação de que a mulher é ‘burra’, mas o fato principal é que essa ‘burrice emocional’ é uma doença, e o sofrimento é enorme”, explica a especialista.
Alertas
No caso específico da médica assassinada, a psicanalista aponta vários fatores que servem como alerta de que algo não vai bem. “A velha história de que quem fala não faz é pura mentira. O homem dá diversos sinais verbais de que poderá cometer um crime passional ou uma futura agressão física. O simples fato de dizer que irá fazer já é uma ameaça e uma coação, uma forma de intimidar e chantagear a vítima, deixando-a assustada. Essa é uma das características de homens frios, dominadores, narcisistas e, muitas vezes, sociopatas”, afirma Tatiana.
Os números da violência contra a mulher são alarmantes. No Brasil, uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo revela que a cada 15 segundos uma mulher é agredida. Estima-se que mais de 2 milhões de mulheres são espancadas a cada ano por maridos ou namorados, atuais ou antigos.
Os especialistas advertem que pequenas atitudes denunciam um gráfico crescente de agressão dentro de uma relacionamento. O homem que começa a gritar ou a xingar a companheira certamente no futuro pode machucá-la fisicamente. “Se um tapa vier, esteja certa de que muitos outros o seguirão. Qualquer tipo de agressão serve de alarme, porém o que acontece é que a própria mulher, cega pela paixão, quer justificar os atos - mesmo que errados - do seu amado”, diz Tatiana.
Toda forma de controle exacerbado sobre o comportamento do outro é uma expressão de violência. Nas relações entre casais, o controle de ligações telefônicas, correspondências por e-mail, horários e vestuário pode ser o estopim da violência a partir do momento em que a mulher não aceita mais isso
Wania Pasinato, socióloga e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da USPEm São Paulo, quase 60% dos homicídios são cometidos por pessoas sem histórico criminal e por motivos fúteis. A socióloga e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP (Universidade de São Paulo), Wania Pasinato, acredita que a violência contra a mulher ganhou grande expressão pública principalmente depois da Lei Maria da Penha, instituída em 2006. “Hoje, diversas campanhas procuram estimular mulheres a procurarem as instituições. É preciso ter consciência de que esse é um problema público, de políticas públicas”, declara.
É necessário apontar que a violência contra a mulher não aumentou necessariamente. A mídia dá destaque a alguns casos porque envolvem pessoas famosas ou porque os crimes têm requintes de crueldade, mas a verdade é que a violência sempre existiu. Mas, em um país de cultura machista, o fato não ganhou destaque durante muito tempo. Além desse cenário cultural, há outro fato que contribui para a violência contra a mulher: o vínculo amoroso. “Nós estamos falando de violências que ocorrem no interior de relacões afetivas. Essas mulheres foram agredidas por homens que elas nutriam sentimentos, por quem elas queriam de alguma forma em suas vidas e, quando se veem um relacionamento dessa natureza, não conseguem enxergar a necessidade de escape da situação”, analisa Wania.
Sem contar que muitas mulheres veem a violência como uma expressão de amor, já que existem diversos tipos de violência: a do controle, a do ciúme, a da posse. “Esse pensamento cria amarras para que elas permaneçam nesse tipo de relacionamento. Sair disso não é uma decisão fácil e, às vezes, é algo praticamente impossível para a mulher”, diz Wania. Ela ainda lembra que é fácil deslizar nesse campo e acusar a mulher por ter feito tal escolha. “Não podemos penalizá-la por ter tido esse comportamento porque ela vai atrás do que acredita. A própria Eliza estava cobrando um direito que ela tinha, do reconhecimento de paternidade de um filho que ela não fez sozinha”, afirma.
Ajuda online
Rejeitadora ou rejeitada, quase sempre é a mulher que leva a pior, por isso vou ficar rouco de tanto repetir: afastem-se do agressor
José Geraldo em sua comunidade no OrkutPensando em melhorar o quadro caótico da violência, José Geraldo da Silva, recepcionista de um fórum de São Paulo, resolveu criar, em 2005, a comunidade “Contra Violência à Mulher” no Orkut. Hoje, mais de 52 mil pessoas trocam experiências, desabafos e conselhos por intermédio dessa ferramenta. “Depois de ouvir dia a dia queixas e relatos de mulheres que sofriam nas mãos de seus companheiros, decidi fazer minha parte promovendo informações e trocas de experiências na rede social. Sou da época em que, quando o homem batia na mulher, ele pagava com cestas básicas. Hoje, com a Lei Maria da Penha, o quadro melhorou um pouco, mas ainda não é o ideal, pois o problema é cultural dos dois lados: é comum o homem agredir a mulher e é normal ela aceitar a agressão”, afirma José. E complementa: “Na minha rotina, acompanho casos de mulheres que partem para a denúncia só depois da agressão número 30”.
domingo, 18 de julho de 2010
SUICIDAR-SE, NUNCA!
Orson Peter Carrara
Meu caro leitor, se você é daquelas pessoas que está enfrentando difícil fase de sua existência, com escassez de recursos financeiros, enfermidades ou complexos desafios pessoais (na vida familiar ou não) e está se sentindo muito abatido, gostaria de convidá-lo a uma grave reflexão.
Todos temos visto a ocorrência triste e dramática daqueles que se lançam ao suicídio, das mais variadas formas. A idéia infeliz surge, é alimentada pelo agravamento dos problemas do cotidiano e concretiza-se no ato infeliz do auto-extermínio.
Diante de possíveis angústias e estados depressivos, não há outro remédio senão a calma, a paciência e a confiança na vida, que sempre nos reserva o melhor ou o que temos necessidade de enfrentar para aprender. Ações precipitadas, suicídios e atos insanos são praticados devido ao desespero que atinge muitas pessoas que não conseguem enxergar os benefícios que as cercam de todos os lados.
Mas é interessante ressaltar que estes estados de alma, de desalento, de angústias, de atribulações de toda ordem, não são casos isolados. Eles integram a vida humana. Milhões de pessoas, em todo mundo, lutam com esses enigmas como alunos que quebram a cabeça tentando resolver exercícios de física ou matemática. Mas até uma criança sabe que o problema que parece insolúvel não se resolverá rasgando o caderno e fugindo da sala de aula.
Sim, a comparação é notável. Destruir o próprio corpo, a própria vida, como aparente solução é uma decisão absurda. Vejamos os problemas como autênticos desafios de aprendizado, nunca como castigos ou questões insuperáveis. Tudo tem uma solução, ainda que difícil ou demorada.
O fato, porém, é que precisamos sempre resistir aos embates do cotidiano com muita coragem e determinação. Viver é algo extraordinário. Tudo, mas tudo mesmo, passa. Para que entregar-se ao desespero? Há razões de sobra para sorrir, rir e viver!
O suicídio é um dos maiores equívocos humanos, para não dizer o maior. A pessoa sente-se pressionada por uma quantidade variável de desafios, que julga serem problemas sem solução, e precipita-se na ilusão da morte. Sim, ilusão, porque ninguém consegue auto-exterminar-se. E o suicídio agrava as dificuldades porque aí a pessoa sente o corpo inanimado, cuja decomposição experimenta com os horrores próprios, pressionada agora pelo arrependimento, pelo remorso, sem possibilidade de retorno imediato para refazer a própria vida. Em meio a dores morais intensas, com as sensações físicas próprias, sentindo ainda a angústia dos seres queridos que com ele conviviam, o suicida torna-se um indigente do além.
Como? Sim, apenas conseqüências do ato extremo, nunca castigo. Isto tudo por uma razão muito simples: não somos o corpo, estamos no corpo. Somos espíritos reencarnados, imortais. E a vida nunca cessa, ela continua objetivando o aprimoramento moral e intelectual de todos os filhos de Deus. Suicidar-se é ilusão. Os desafios existenciais surgem exatamente para promover o progresso, convidando à conquista de virtudes e o desenvolvimento da inteligência. A oportunidade de viver e aprender é muito rica para ser desprezada. E quando alguém a descarta, surgem conseqüências naturais: o sofrimento físico, pela auto-agressão e o sofrimento moral do arrependimento e da perda de oportunidades. Muitos talvez, poderão perguntar-se: Mas de onde vem essas informações?
A Revelação Espírita trouxe essas informações. São os próprios espíritos que trouxeram as descrições do estado que se encontram depois da morte. Entre eles, também os suicidas descrevem os sofrimentos físicos e morais que experimentam. Sim porque sendo patrimônio concedido por Deus, a vida interrompida por vontade própria é transgressão à sua Lei de Amor. Como uma criança pequena que teima em não ouvir os pais e coloca os dedos na tomada elétrica.
Para os suicídios há atenuantes e agravantes, mas sempre com conseqüências dolorosas e que vão requerer longo tempo de recuperação. Deus, que é Pai bondoso e misericordioso, jamais abandona seus filhos e concede-lhes sempre novas oportunidades. Aí surge a reencarnação como caminho reparador, em existências difíceis que apresentam os sintomas e aparências do ato extremo do suicídio. Há que se pensar nos familiares, cônjuges, pais e filhos, na dor que experimentam diante do suicídio do ser querido. Há que se pensar no arrependimento inevitável que virá. Há que se ponderar no desprezo endereçado à vida. Há, mais ainda, que se buscar na confiança em Deus, na coragem, na prece sincera, nos amigos (especialmente o maior deles, Jesus), a força que se precisa para vencer quaisquer idéias que sugiram o auto-extermínio.
Meu amigo, minha amiga, pense no tesouro que é tua vida, de tua família! Jamais te deixes enganar pela ilusão do suicídio. Viva! Viva intensamente! Com alegria! Que não te perturbe nem a dificuldade, nem a enfermidade, nem a carência material. Confie, meu caro, e prossiga!
Meu caro leitor, se você é daquelas pessoas que está enfrentando difícil fase de sua existência, com escassez de recursos financeiros, enfermidades ou complexos desafios pessoais (na vida familiar ou não) e está se sentindo muito abatido, gostaria de convidá-lo a uma grave reflexão.
Todos temos visto a ocorrência triste e dramática daqueles que se lançam ao suicídio, das mais variadas formas. A idéia infeliz surge, é alimentada pelo agravamento dos problemas do cotidiano e concretiza-se no ato infeliz do auto-extermínio.
Diante de possíveis angústias e estados depressivos, não há outro remédio senão a calma, a paciência e a confiança na vida, que sempre nos reserva o melhor ou o que temos necessidade de enfrentar para aprender. Ações precipitadas, suicídios e atos insanos são praticados devido ao desespero que atinge muitas pessoas que não conseguem enxergar os benefícios que as cercam de todos os lados.
Mas é interessante ressaltar que estes estados de alma, de desalento, de angústias, de atribulações de toda ordem, não são casos isolados. Eles integram a vida humana. Milhões de pessoas, em todo mundo, lutam com esses enigmas como alunos que quebram a cabeça tentando resolver exercícios de física ou matemática. Mas até uma criança sabe que o problema que parece insolúvel não se resolverá rasgando o caderno e fugindo da sala de aula.
Sim, a comparação é notável. Destruir o próprio corpo, a própria vida, como aparente solução é uma decisão absurda. Vejamos os problemas como autênticos desafios de aprendizado, nunca como castigos ou questões insuperáveis. Tudo tem uma solução, ainda que difícil ou demorada.
O fato, porém, é que precisamos sempre resistir aos embates do cotidiano com muita coragem e determinação. Viver é algo extraordinário. Tudo, mas tudo mesmo, passa. Para que entregar-se ao desespero? Há razões de sobra para sorrir, rir e viver!
O suicídio é um dos maiores equívocos humanos, para não dizer o maior. A pessoa sente-se pressionada por uma quantidade variável de desafios, que julga serem problemas sem solução, e precipita-se na ilusão da morte. Sim, ilusão, porque ninguém consegue auto-exterminar-se. E o suicídio agrava as dificuldades porque aí a pessoa sente o corpo inanimado, cuja decomposição experimenta com os horrores próprios, pressionada agora pelo arrependimento, pelo remorso, sem possibilidade de retorno imediato para refazer a própria vida. Em meio a dores morais intensas, com as sensações físicas próprias, sentindo ainda a angústia dos seres queridos que com ele conviviam, o suicida torna-se um indigente do além.
Como? Sim, apenas conseqüências do ato extremo, nunca castigo. Isto tudo por uma razão muito simples: não somos o corpo, estamos no corpo. Somos espíritos reencarnados, imortais. E a vida nunca cessa, ela continua objetivando o aprimoramento moral e intelectual de todos os filhos de Deus. Suicidar-se é ilusão. Os desafios existenciais surgem exatamente para promover o progresso, convidando à conquista de virtudes e o desenvolvimento da inteligência. A oportunidade de viver e aprender é muito rica para ser desprezada. E quando alguém a descarta, surgem conseqüências naturais: o sofrimento físico, pela auto-agressão e o sofrimento moral do arrependimento e da perda de oportunidades. Muitos talvez, poderão perguntar-se: Mas de onde vem essas informações?
A Revelação Espírita trouxe essas informações. São os próprios espíritos que trouxeram as descrições do estado que se encontram depois da morte. Entre eles, também os suicidas descrevem os sofrimentos físicos e morais que experimentam. Sim porque sendo patrimônio concedido por Deus, a vida interrompida por vontade própria é transgressão à sua Lei de Amor. Como uma criança pequena que teima em não ouvir os pais e coloca os dedos na tomada elétrica.
Para os suicídios há atenuantes e agravantes, mas sempre com conseqüências dolorosas e que vão requerer longo tempo de recuperação. Deus, que é Pai bondoso e misericordioso, jamais abandona seus filhos e concede-lhes sempre novas oportunidades. Aí surge a reencarnação como caminho reparador, em existências difíceis que apresentam os sintomas e aparências do ato extremo do suicídio. Há que se pensar nos familiares, cônjuges, pais e filhos, na dor que experimentam diante do suicídio do ser querido. Há que se pensar no arrependimento inevitável que virá. Há que se ponderar no desprezo endereçado à vida. Há, mais ainda, que se buscar na confiança em Deus, na coragem, na prece sincera, nos amigos (especialmente o maior deles, Jesus), a força que se precisa para vencer quaisquer idéias que sugiram o auto-extermínio.
Meu amigo, minha amiga, pense no tesouro que é tua vida, de tua família! Jamais te deixes enganar pela ilusão do suicídio. Viva! Viva intensamente! Com alegria! Que não te perturbe nem a dificuldade, nem a enfermidade, nem a carência material. Confie, meu caro, e prossiga!
PREVENÇÃO CONTRA O SUICÍDIO
Valentim Lorenzetti
Espalham-se, atualmente, por todo o mundo, os chamados "centros-de-socorro-telefônico", destinados a dar apoio às pessoas desesperadas prestes a se suicidar. 0 trabalho pioneiro nesse setor de atividade teve início há quase vinte anos, na Inglaterra, liderado por um ministro da Igreja Anglicana, o rev. Chad Varah.
A história do primeiro centro-de-socorro-telefônico do mundo e a luta do i rev.Chad Varah, merecem ser conhecidas. Logo após o término da segunda guerra mundial, crescia espantosamente o número de suicídios na Inglaterra. Chad Varah, impressionado com essa trágica estatística, resolveu arregaçar as mangas e instituir um serviço que pudesse dar apoio moral e calor humano às pessoas desesperadas. Expôs seus planos a seus superiores hierárquicos, e estes lhe concederam, para instalar o centro de atendimento, uma velha igreja (de Santo Estevão), parcialmente destruída pelos bombardeios.
As paredes fendidas do velho templo não assustaram o reverendo. Os porões da igreja estavam praticamente intactos e, ali, decidiu ele começar o seu trabalho, instalando o que denominou "Os Samaritanos" Após estafante trabalho de arrumação no local, remoção dos escombros e higienização do ambiente, Chad Varah decide solicitar à companhia telefônica a concessão de um número de Fácil memorização para ser instalado na sede do plantão. Levanta do gancho o telefone empoeirado pelos bombardeios e chama a telefonista a quem expôs seus objetivos. Resposta do outro lado da linha:
"Sim, nós poderemos verificar o que é possível fazer. Por favor, dê-me o número de seu telefone. Nós o avisaremos assim que tivermos uma resposta".
Chad Varah limpa a poeira com a manga da sotaina, e descobre o número do telefone da igreja de Santo Estevão. Nesse instante a emoção lhe embarga a voz. Mesmo assim consegue dizer à telefonista
Começou, assim, com grande emoção, a funcionar o primeiro telefone de atendimento a desesperados de viver, no mundo: É até hoje conhecido e muito atuante "Mansion House 9000 - telefone da amizade". E Londres toda foi inundada por cartazes anunciando o funcionamento de "Os Samaritanos" ; atualmente, a organização está com filiais em vários outros bairros londrinos e em algumas das cidades mais importantes da Inglaterra. Chad Varah, o simpático ministro anglicano, continua à frente dos trabalhos. Seus plantonistas voluntários atendem por telefone e pessoalmente, iniciando geralmente o contato com o suicida em potencial por telefone e terminando com um "tête-à-tête" no plantão da organização. Inspirados nos "Samaritanos", surgiram a seguir outros centros de prevenção ao suicídio. Logo a seguir, por exemplo, os franceses fundaram, em Paris, o "SOS 1 " Amitié, que hoje tem ramificações por toda a França, atendendo somente por telefone e jamais fornecendo o endereço a quem quer que seja. É também integrado por voluntários.
NO BRASIL
Quando, há quase dez anos, o eng. Jacques Conchon, expôs em Londres, ao rev. Chad Varah, o sistema de funcionamento do recém-fundado "CVV - Centro de Valorização da Vida", o ministro anglicano afirmou:
"Veja, meu amigo, vocês lá no Brasil e nós, aqui na Inglaterra, sem nos conhecermos, pertencemos a um trabalho que funciona em moldes idênticos. Até parece que, ao fazer as normas do CVV, vocês usaram um papel-carbono sob as normas de trabalho de "Os Samaritanos Fica, assim, mais uma vez, comprovada a atuação do Alto unindo os homens em torno dos trabalhos de assistência ao próximo. Continuem com a tarefa. Deus saberá recompensar todos os sacrifícios".
E, daquele encontro até hoje, o CVV não deixou de funcionar. Os sacrifícios, os obstáculos, vão sendo vencidos aos poucos. Existindo há quase 10 anos como personalidade jurídica, o "Centro de Valorização da Vida", de São Paulo, é hoje uma entidade de Utilidade Pública Municipal e registrada em todos os órgãos de assistência médica e social do Estado e do País. Atualmente funciona em sede própria, à rua Francisca Miquelina 323, conj. 24, atendendo diariamente, inclusive domingos e feriados, pelo telefone 33.2050, das 16 às 22 horas. Não foi possível, ainda, ampliar a faixa de atendimento do plantão, por falta de pessoal habilitado, que deve .ser necessariamente espírita e voluntário; nenhum elemento do CVV é remunerado a partir dos membros de sua diretoria. 0 período das 16 às 22 horas, em que funciona o plantão, foi estabelecido consultando-se as estatísticas de suicídio e tentativas na capital de São Paulo: é a faixa onde ocorre maior número de suicídios.
Atualmente, o CVV está empenhado na construção da "Clínica de Repouso Francisca Júlia", para doentes mentais sem recursos, cuja primeira fase está sendo concluída. A Clínica localiza-se no bairro do Torrão de ouro, município de São José dos Campos,. nas margens da estrada que leva á Caraguatatuba 0 projeto final da obra é para 400 leitos; a primeira fase comportará 40 leitos. Destina-se a Clínica, a atender á pequena porcentagem (10%) de suicidas em potencial que são doentes mentais e, também, a atender a doentes mentais sem recursos do Vale do Paraíba. Será o primeiro sanatório do mundo especializado no tratamento de doentes mentais suicidas em potencial.
0 CVV é mantido pela, contribuição de associados, que, atualmente, estão se filiando em torno de um montepio - o "Montepio da Valorização", autorizado pelo Governo Federal pelo qual cada associado passa a colaborar com a mensalidade de Cr$ 14,00, e, automaticamente a formar um pecúlio para seus de dependentes, após sua morte. Trata-se de uma forma de arrecadação de fundos, que, a médio e longo prazo, deverá transformar-se no sustentáculo financeiro da instituição, e, principalmente, da "Clínica de Repouso Francisca Júlia". Atualmente a entidade luta ainda com grandes dificuldades financeiras, empenhando-se todos seus plantonistas em campanhas de arrecadação para conclusão do sanatório, onde, até fins de agosto de 1971, a entidade já havia investido quase 300 mil cruzeiros. Dessa importância, o governo do Estado colaborara somente com 35 mil cruzeiros.
RESULTADOS
Desde que começou a funcionar, em caráter experimental, até hoje, o CVV já atendeu a quase duas mil pessoas que estavam realmente dispostas a se matar. Destas infelizmente, quatro se suicidaram realmente, não tendo sido possível ao CVV recuperá-las para a vida. Entretanto, o índice de recuperação é considerado excelente pelos dirigentes da entidade, o que os anima a prosseguir na luta apesar das enormes dificuldades
Em princípios de 1971, a entidade lançou uma ramificação em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, entregando a responsabilidade do funcionamento da filial gaúcha a duas abnegadas professoras, que tiveram a iniciativa de enfrentar, no Sul, o trabalho de prevenção do suicídio. Aliás, uma das finalidades do CVV é a de instalar postos de atendimento nas principais capitais do país e nas grandes cidades do Estado de S. Paulo à medida em que forem surgindo, nessas cidades, elementos de boa-vontade, o CVV irá orientando e fornecendo todo o programa de preparação de plantonistas.
0 problema do suicídio em nossa sociedade, ainda é cercado de uma série de tabus e frases feitas. Por exemplo: : "Quem quer se matar não avisa". È uma frase-feita, repetida indefinidamente, sem qualquer fundamento em fatos. A experiência do CVV e dos demais centros de socorro telefônico instalado em outros países demonstra que o suicida em potencial dá muitos avisos. Na maioria das vezes, entretanto, tais aviso,- não são compreendidos por amigos e familiares; e a pessoa acaba se matando. Quando o indivíduo dispõe de um telefone, como o do CVV, ele se agarra realmente a esse telefone, que lhe representa a tábua lançada no oceano revolto, onde ele, náufrago da vida, poderá se agarrar. 0 plantonista do CVV oferece amizade ao suicida em potencial ; a amizade tão difícil de ser encontrada hoje em dia. Não proporciona auxílio financeiro nem o ajuda diretamente a solucionar seus problemas; proporciona-lhe o desabafo e o apoio moral, encorajando-o a enfrentar os problemas com renovada disposição. É a própria valorização da vida; superada a, crise suicida, o indivíduo não se sentirá dependente de ninguém e terá condições de enfrentar seus problemas.
"Suicídio se resolve com aumento de salário", é outra frase-feita absurda. 0 problema financeiro é o que menos pesa na decisão de suicídio de uma pessoa. Os motivos que levam realmente as pessoas a pensar em auto-destruição estão ligados, em sua esmagadora maioria, ao campo afetivo. É a chamada deterioração afetiva, que leva a pessoa, fatalmente, a sentir-se só. Um solitário no meio da multidão. Um indivíduo carente de amizade, de alguém que o considere digno de ser ouvido. E o CVV considera dignes de atenção todos que lhe batem às portas ou discam o número de seu telefone. Mesmo que o indivíduo faça a ligação telefônica para aplicar um "trote" no plantonista. Todos recebem amizade.
Atualmente o CVV conta com a colaboração de 45 plantonistas voluntários, entre homens e mulheres, atendendo a uma média de 15 casos de suicidas em potencial por mês. Seus plantonistas são indivíduos de boa-vontade que antes de ingressarem no trabalho, são obrigados a freqüentar um curso especializado. 0 atendimento é feito seguindo as normas da chamada "psicoterapia de apoio", e, quando necessário, a entidade se vale da colaboração de médicos psiquiatras, que também voluntariamente atendem às pessoas que lhes são encaminhadas. Não há doutrinação religiosa em nenhum atendimento; o CVV mantém contate com todas as religiões, e, desde que o indivíduo se mostre interessado, é encaminhado para a religião desejada.
A norma básica do atendimento, que é seguida por todo plantonista, resume-se numa frase: "Saber ouvir os problemas da pessoa". Conhecidos os problemas, usar as armas disponíveis pelo próprio indivíduo para que tais problemas sejam superados. É evidente que em tal atendimento entra a Religião como impulsionador maior: a Religião Cristã, que manda servir desinteressante.
Espalham-se, atualmente, por todo o mundo, os chamados "centros-de-socorro-telefônico", destinados a dar apoio às pessoas desesperadas prestes a se suicidar. 0 trabalho pioneiro nesse setor de atividade teve início há quase vinte anos, na Inglaterra, liderado por um ministro da Igreja Anglicana, o rev. Chad Varah.
A história do primeiro centro-de-socorro-telefônico do mundo e a luta do i rev.Chad Varah, merecem ser conhecidas. Logo após o término da segunda guerra mundial, crescia espantosamente o número de suicídios na Inglaterra. Chad Varah, impressionado com essa trágica estatística, resolveu arregaçar as mangas e instituir um serviço que pudesse dar apoio moral e calor humano às pessoas desesperadas. Expôs seus planos a seus superiores hierárquicos, e estes lhe concederam, para instalar o centro de atendimento, uma velha igreja (de Santo Estevão), parcialmente destruída pelos bombardeios.
As paredes fendidas do velho templo não assustaram o reverendo. Os porões da igreja estavam praticamente intactos e, ali, decidiu ele começar o seu trabalho, instalando o que denominou "Os Samaritanos" Após estafante trabalho de arrumação no local, remoção dos escombros e higienização do ambiente, Chad Varah decide solicitar à companhia telefônica a concessão de um número de Fácil memorização para ser instalado na sede do plantão. Levanta do gancho o telefone empoeirado pelos bombardeios e chama a telefonista a quem expôs seus objetivos. Resposta do outro lado da linha:
"Sim, nós poderemos verificar o que é possível fazer. Por favor, dê-me o número de seu telefone. Nós o avisaremos assim que tivermos uma resposta".
Chad Varah limpa a poeira com a manga da sotaina, e descobre o número do telefone da igreja de Santo Estevão. Nesse instante a emoção lhe embarga a voz. Mesmo assim consegue dizer à telefonista
Começou, assim, com grande emoção, a funcionar o primeiro telefone de atendimento a desesperados de viver, no mundo: É até hoje conhecido e muito atuante "Mansion House 9000 - telefone da amizade". E Londres toda foi inundada por cartazes anunciando o funcionamento de "Os Samaritanos" ; atualmente, a organização está com filiais em vários outros bairros londrinos e em algumas das cidades mais importantes da Inglaterra. Chad Varah, o simpático ministro anglicano, continua à frente dos trabalhos. Seus plantonistas voluntários atendem por telefone e pessoalmente, iniciando geralmente o contato com o suicida em potencial por telefone e terminando com um "tête-à-tête" no plantão da organização. Inspirados nos "Samaritanos", surgiram a seguir outros centros de prevenção ao suicídio. Logo a seguir, por exemplo, os franceses fundaram, em Paris, o "SOS 1 " Amitié, que hoje tem ramificações por toda a França, atendendo somente por telefone e jamais fornecendo o endereço a quem quer que seja. É também integrado por voluntários.
NO BRASIL
Quando, há quase dez anos, o eng. Jacques Conchon, expôs em Londres, ao rev. Chad Varah, o sistema de funcionamento do recém-fundado "CVV - Centro de Valorização da Vida", o ministro anglicano afirmou:
"Veja, meu amigo, vocês lá no Brasil e nós, aqui na Inglaterra, sem nos conhecermos, pertencemos a um trabalho que funciona em moldes idênticos. Até parece que, ao fazer as normas do CVV, vocês usaram um papel-carbono sob as normas de trabalho de "Os Samaritanos Fica, assim, mais uma vez, comprovada a atuação do Alto unindo os homens em torno dos trabalhos de assistência ao próximo. Continuem com a tarefa. Deus saberá recompensar todos os sacrifícios".
E, daquele encontro até hoje, o CVV não deixou de funcionar. Os sacrifícios, os obstáculos, vão sendo vencidos aos poucos. Existindo há quase 10 anos como personalidade jurídica, o "Centro de Valorização da Vida", de São Paulo, é hoje uma entidade de Utilidade Pública Municipal e registrada em todos os órgãos de assistência médica e social do Estado e do País. Atualmente funciona em sede própria, à rua Francisca Miquelina 323, conj. 24, atendendo diariamente, inclusive domingos e feriados, pelo telefone 33.2050, das 16 às 22 horas. Não foi possível, ainda, ampliar a faixa de atendimento do plantão, por falta de pessoal habilitado, que deve .ser necessariamente espírita e voluntário; nenhum elemento do CVV é remunerado a partir dos membros de sua diretoria. 0 período das 16 às 22 horas, em que funciona o plantão, foi estabelecido consultando-se as estatísticas de suicídio e tentativas na capital de São Paulo: é a faixa onde ocorre maior número de suicídios.
Atualmente, o CVV está empenhado na construção da "Clínica de Repouso Francisca Júlia", para doentes mentais sem recursos, cuja primeira fase está sendo concluída. A Clínica localiza-se no bairro do Torrão de ouro, município de São José dos Campos,. nas margens da estrada que leva á Caraguatatuba 0 projeto final da obra é para 400 leitos; a primeira fase comportará 40 leitos. Destina-se a Clínica, a atender á pequena porcentagem (10%) de suicidas em potencial que são doentes mentais e, também, a atender a doentes mentais sem recursos do Vale do Paraíba. Será o primeiro sanatório do mundo especializado no tratamento de doentes mentais suicidas em potencial.
0 CVV é mantido pela, contribuição de associados, que, atualmente, estão se filiando em torno de um montepio - o "Montepio da Valorização", autorizado pelo Governo Federal pelo qual cada associado passa a colaborar com a mensalidade de Cr$ 14,00, e, automaticamente a formar um pecúlio para seus de dependentes, após sua morte. Trata-se de uma forma de arrecadação de fundos, que, a médio e longo prazo, deverá transformar-se no sustentáculo financeiro da instituição, e, principalmente, da "Clínica de Repouso Francisca Júlia". Atualmente a entidade luta ainda com grandes dificuldades financeiras, empenhando-se todos seus plantonistas em campanhas de arrecadação para conclusão do sanatório, onde, até fins de agosto de 1971, a entidade já havia investido quase 300 mil cruzeiros. Dessa importância, o governo do Estado colaborara somente com 35 mil cruzeiros.
RESULTADOS
Desde que começou a funcionar, em caráter experimental, até hoje, o CVV já atendeu a quase duas mil pessoas que estavam realmente dispostas a se matar. Destas infelizmente, quatro se suicidaram realmente, não tendo sido possível ao CVV recuperá-las para a vida. Entretanto, o índice de recuperação é considerado excelente pelos dirigentes da entidade, o que os anima a prosseguir na luta apesar das enormes dificuldades
Em princípios de 1971, a entidade lançou uma ramificação em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, entregando a responsabilidade do funcionamento da filial gaúcha a duas abnegadas professoras, que tiveram a iniciativa de enfrentar, no Sul, o trabalho de prevenção do suicídio. Aliás, uma das finalidades do CVV é a de instalar postos de atendimento nas principais capitais do país e nas grandes cidades do Estado de S. Paulo à medida em que forem surgindo, nessas cidades, elementos de boa-vontade, o CVV irá orientando e fornecendo todo o programa de preparação de plantonistas.
0 problema do suicídio em nossa sociedade, ainda é cercado de uma série de tabus e frases feitas. Por exemplo: : "Quem quer se matar não avisa". È uma frase-feita, repetida indefinidamente, sem qualquer fundamento em fatos. A experiência do CVV e dos demais centros de socorro telefônico instalado em outros países demonstra que o suicida em potencial dá muitos avisos. Na maioria das vezes, entretanto, tais aviso,- não são compreendidos por amigos e familiares; e a pessoa acaba se matando. Quando o indivíduo dispõe de um telefone, como o do CVV, ele se agarra realmente a esse telefone, que lhe representa a tábua lançada no oceano revolto, onde ele, náufrago da vida, poderá se agarrar. 0 plantonista do CVV oferece amizade ao suicida em potencial ; a amizade tão difícil de ser encontrada hoje em dia. Não proporciona auxílio financeiro nem o ajuda diretamente a solucionar seus problemas; proporciona-lhe o desabafo e o apoio moral, encorajando-o a enfrentar os problemas com renovada disposição. É a própria valorização da vida; superada a, crise suicida, o indivíduo não se sentirá dependente de ninguém e terá condições de enfrentar seus problemas.
"Suicídio se resolve com aumento de salário", é outra frase-feita absurda. 0 problema financeiro é o que menos pesa na decisão de suicídio de uma pessoa. Os motivos que levam realmente as pessoas a pensar em auto-destruição estão ligados, em sua esmagadora maioria, ao campo afetivo. É a chamada deterioração afetiva, que leva a pessoa, fatalmente, a sentir-se só. Um solitário no meio da multidão. Um indivíduo carente de amizade, de alguém que o considere digno de ser ouvido. E o CVV considera dignes de atenção todos que lhe batem às portas ou discam o número de seu telefone. Mesmo que o indivíduo faça a ligação telefônica para aplicar um "trote" no plantonista. Todos recebem amizade.
Atualmente o CVV conta com a colaboração de 45 plantonistas voluntários, entre homens e mulheres, atendendo a uma média de 15 casos de suicidas em potencial por mês. Seus plantonistas são indivíduos de boa-vontade que antes de ingressarem no trabalho, são obrigados a freqüentar um curso especializado. 0 atendimento é feito seguindo as normas da chamada "psicoterapia de apoio", e, quando necessário, a entidade se vale da colaboração de médicos psiquiatras, que também voluntariamente atendem às pessoas que lhes são encaminhadas. Não há doutrinação religiosa em nenhum atendimento; o CVV mantém contate com todas as religiões, e, desde que o indivíduo se mostre interessado, é encaminhado para a religião desejada.
A norma básica do atendimento, que é seguida por todo plantonista, resume-se numa frase: "Saber ouvir os problemas da pessoa". Conhecidos os problemas, usar as armas disponíveis pelo próprio indivíduo para que tais problemas sejam superados. É evidente que em tal atendimento entra a Religião como impulsionador maior: a Religião Cristã, que manda servir desinteressante.
COMO IDENTIFICAR UM SUICIDA EM POTENCIAL:
Rubens Santini de Oliveira
É preciso evitar novos suicídios!
“A Psicologia Clínica está preocupada em lidar com a tentativa de suicídio ocorrida e entendê-la para uma atuação pós-crise, desenvolvendo um acompanhamento terapêutico neste período difícil.
Alguns hospitais, como o Hospital São Paulo, já possuem um setor de atendimento psicológico para indivíduos que dão entrada no hospital por tentativa de suicídio mal-sucedido. Esta equipe especializada, objetiva prevenir novas tentativas de suicídios por parte destas pessoas e reintegrá-las ao convívio social, em vez de se preocupar apenas com a alta médica (recuperação física do interno), como ocorria até pouco tempo.
É possível tentar desenvolver um trabalho junto à família do suicida, uma vez que o suicídio se relaciona diretamente com a unidade familiar e o meio próximo ao individuo. Além disso, a família com um membro suicida encontra-se freqüentemente desamparada e impotente diante de tal situação”. “Minha querida filha, há seis meses que você dilapida seus recursos e compromete silenciosamente seus benefícios; dentro em breve seremos presas dos horrores da fome. É preferível que aquele que não serve para nada se vá; você acaba de sair para se submeter a mais algum sacrifício; quando voltar não me terá mais a sua custa”.
CVV dá ajuda por telefone
O CVV (Centro de Valorização da Vida) é um serviço telefônico grátis que atende 24 horas do dia. Recebem 4000 ligações por mês só na cidade de São Paulo.
O CVV possui alguns lemas como “somente aquele que sabe ouvir poderá ajudar” ou, o mais conhecido, “é mais fácil viver quando se tem um amigo”.
Todo o corpo de plantonistas é composto por pessoas voluntárias.
Um dos métodos de atuação do CVV é tentar entender a pessoa, sem minimizar o seu problema.
Por exemplo: a dor sentida por uma adolescente que briga com o namorado, pode ser muito grande para ela. A postura do CVV, neste caso, seria de compreensão. Jamais seria dito à jovem que procurasse um outro namorado, pois isso deve ser o que ela está ouvindo de todos.
O CVV aconselha que a atitude adotada por amigos de suicidas em potencial seja a mesma: “jamais diga para essa pessoa que seu sofrimento é uma bobagem”.
Um outro conselho do CVV é que seja permitido o desabafo, deixar a pessoa chorar, se extravasar. Quando a idéia de suicídio é exposto claramente, ou seja, quando é discutida, é mais dificil que ela se concretize. Qualquer coisa que passa pela linguagem é atenuada. Se alguém diz que tem medo de um vir a se matar, provavelmente não irá fazer isso”.
Como identificar um suicida em potencial:
Observar se a pessoa tem sintoma de :
- Depressão: Tristeza constante, ansiedade, insônia, perda de apetite, pessimismo, dificuldade de se concentrar.
- Falta de perspectiva: O que é diferente de uma tristeza temporária.
- Ficar atento a fatos importantes da vida da pessoa. Grandes perdas ou mudanças podem precipitar uma tentativa ao suicídio.
- Verificar se a pessoa já tentou se matar antes. Estas pessoas têm maior tendência a repetir a tentativa.
- Ficar atento para anúncios espontâneos de suicídio.
- Falar claramente sobre o tema. Pergunte diretamente se a pessoa pensa em se matar.
O que fazer se parente ou amigo quiser se matar:
- Ofereça ajuda médica ou psiquiátrica. Se necessário, leve-a mesmo a contragosto.
- Mantenha-a longe de armas de fogo, objetos cortantes, remédios como calmantes e de lugares altos.
- Converse sobre a situação que ela vive. Lembre-se de que a depressão tem cura e é passageira, com tratamento adequado ela acaba em duas ou três semanas. Para a pessoa deprimida, entretanto, a sensação é de que jamais haverá solução.
- Nem a deixe sozinha, nem durante a noite. Além de ter seus atos vigiados, ela se sentirá querida e estimulada.
- Trate o tema com clareza e sem preconceitos.las sombrias: - era meia dúzia de réprobos que passava enlouquecida, deixando à mostra cenas de afogamento, por arrastarem na mente conflagrada a trágica lembrança de quando se atiraram às suas águas!... Homens e mulheres transitavam desesperados: uns ensangüentados, outros estorcendo-se no suplício das dores pelo envenenamento, e, o que era pior, deixando à mostra o reflexo das entranhas carnais corroídas pelo tóxico ingerido, enquanto outros mais, incendiados, a gritarem por socorro em correrias insensatas, traziam pânico ainda maior entre os companheiros de desgraça, os quais receavam queimar-se ao seu contacto, todos possuídos de loucura coletiva! E coroando a profundeza e intensidade desses inimagináveis martírios — as penas morais: os remorsos, as saudades dos seres amados, dos quais não tinham mais notícias, os mesmos dissabores que haviam dado causa ao desespero e que persistiam em afligir!... E as penas físico-materiais: a fome, o frio, a sede, exigências fisiológicas em geral, torturantes, irritantes, desesperadoras! a fadiga, a insônia depressora, a fraqueza, o delírio!”
É preciso evitar novos suicídios!
“A Psicologia Clínica está preocupada em lidar com a tentativa de suicídio ocorrida e entendê-la para uma atuação pós-crise, desenvolvendo um acompanhamento terapêutico neste período difícil.
Alguns hospitais, como o Hospital São Paulo, já possuem um setor de atendimento psicológico para indivíduos que dão entrada no hospital por tentativa de suicídio mal-sucedido. Esta equipe especializada, objetiva prevenir novas tentativas de suicídios por parte destas pessoas e reintegrá-las ao convívio social, em vez de se preocupar apenas com a alta médica (recuperação física do interno), como ocorria até pouco tempo.
É possível tentar desenvolver um trabalho junto à família do suicida, uma vez que o suicídio se relaciona diretamente com a unidade familiar e o meio próximo ao individuo. Além disso, a família com um membro suicida encontra-se freqüentemente desamparada e impotente diante de tal situação”. “Minha querida filha, há seis meses que você dilapida seus recursos e compromete silenciosamente seus benefícios; dentro em breve seremos presas dos horrores da fome. É preferível que aquele que não serve para nada se vá; você acaba de sair para se submeter a mais algum sacrifício; quando voltar não me terá mais a sua custa”.
CVV dá ajuda por telefone
O CVV (Centro de Valorização da Vida) é um serviço telefônico grátis que atende 24 horas do dia. Recebem 4000 ligações por mês só na cidade de São Paulo.
O CVV possui alguns lemas como “somente aquele que sabe ouvir poderá ajudar” ou, o mais conhecido, “é mais fácil viver quando se tem um amigo”.
Todo o corpo de plantonistas é composto por pessoas voluntárias.
Um dos métodos de atuação do CVV é tentar entender a pessoa, sem minimizar o seu problema.
Por exemplo: a dor sentida por uma adolescente que briga com o namorado, pode ser muito grande para ela. A postura do CVV, neste caso, seria de compreensão. Jamais seria dito à jovem que procurasse um outro namorado, pois isso deve ser o que ela está ouvindo de todos.
O CVV aconselha que a atitude adotada por amigos de suicidas em potencial seja a mesma: “jamais diga para essa pessoa que seu sofrimento é uma bobagem”.
Um outro conselho do CVV é que seja permitido o desabafo, deixar a pessoa chorar, se extravasar. Quando a idéia de suicídio é exposto claramente, ou seja, quando é discutida, é mais dificil que ela se concretize. Qualquer coisa que passa pela linguagem é atenuada. Se alguém diz que tem medo de um vir a se matar, provavelmente não irá fazer isso”.
Como identificar um suicida em potencial:
Observar se a pessoa tem sintoma de :
- Depressão: Tristeza constante, ansiedade, insônia, perda de apetite, pessimismo, dificuldade de se concentrar.
- Falta de perspectiva: O que é diferente de uma tristeza temporária.
- Ficar atento a fatos importantes da vida da pessoa. Grandes perdas ou mudanças podem precipitar uma tentativa ao suicídio.
- Verificar se a pessoa já tentou se matar antes. Estas pessoas têm maior tendência a repetir a tentativa.
- Ficar atento para anúncios espontâneos de suicídio.
- Falar claramente sobre o tema. Pergunte diretamente se a pessoa pensa em se matar.
O que fazer se parente ou amigo quiser se matar:
- Ofereça ajuda médica ou psiquiátrica. Se necessário, leve-a mesmo a contragosto.
- Mantenha-a longe de armas de fogo, objetos cortantes, remédios como calmantes e de lugares altos.
- Converse sobre a situação que ela vive. Lembre-se de que a depressão tem cura e é passageira, com tratamento adequado ela acaba em duas ou três semanas. Para a pessoa deprimida, entretanto, a sensação é de que jamais haverá solução.
- Nem a deixe sozinha, nem durante a noite. Além de ter seus atos vigiados, ela se sentirá querida e estimulada.
- Trate o tema com clareza e sem preconceitos.las sombrias: - era meia dúzia de réprobos que passava enlouquecida, deixando à mostra cenas de afogamento, por arrastarem na mente conflagrada a trágica lembrança de quando se atiraram às suas águas!... Homens e mulheres transitavam desesperados: uns ensangüentados, outros estorcendo-se no suplício das dores pelo envenenamento, e, o que era pior, deixando à mostra o reflexo das entranhas carnais corroídas pelo tóxico ingerido, enquanto outros mais, incendiados, a gritarem por socorro em correrias insensatas, traziam pânico ainda maior entre os companheiros de desgraça, os quais receavam queimar-se ao seu contacto, todos possuídos de loucura coletiva! E coroando a profundeza e intensidade desses inimagináveis martírios — as penas morais: os remorsos, as saudades dos seres amados, dos quais não tinham mais notícias, os mesmos dissabores que haviam dado causa ao desespero e que persistiam em afligir!... E as penas físico-materiais: a fome, o frio, a sede, exigências fisiológicas em geral, torturantes, irritantes, desesperadoras! a fadiga, a insônia depressora, a fraqueza, o delírio!”
ALGUNS ARGUMENTOS CONTRA O SUICÍDIO
Rubens Santini de Oliveira
“O telefone toca... O plantonista atende...
Uma pessoa deseja morrer. Ingeriu comprimidos, deseja morrer conversando com alguém e espera que o plantonista possa ser esta pessoa, possa representar este outro para que não esteja só nesta passagem.
O plantonista arrisca perguntar se está certo de que‚ isto que realmente quer, se não gostaria que lhe fosse enviado socorro. A pessoa recusa, não quer voltar atrás e pede ao plantonista que fale com ela. A voz atenua-se... o telefone cai”.(*)
PARTE I
“Tentar compreender por que uma pessoa, de maneira impulsiva ou cuidadosamente planejada, escreve dizeres amorosos na sola do sapato para um namorado e se atira do viaduto do Chá; ou acomoda seu revólver numa morsa de oficina, na garagem de sua residência, coloca a cabeça diante da arma e dispara; ou amarra um cordel de náilon no teto do banheiro e se enforca; ou ingere dezenas de comprimidos de uma só vez; ou por que uma criança se joga da janela do décimo andar; ou, ainda, por que um padre acende as seis bocas do fogão na cozinha de um colégio, deitando-se sobre elas carbonizando-se, não é, absolutamente, tarefa fácil.
Foi numa tentativa de elucidar alguns fatores que possam estar em jogo na vivência destas pessoas, no momento em que decidem se matar, que este trabalho nasceu”.(**)
Por que as pessoas se matam?
O que poderá levar o homem a recorrer a esse ato tão irracional?
(1) Falta de Fé? - é a total descrença de uma outra vida após a morte. Tem a ilusão de que, provocando a própria morte, será o fim de todo o sofrimento e o início de um eterno sono profundo. É a falta de Espiritualidade e da crença nas obras do Criador.
(2) Orgulho ferido? - Pode ser considerado, também, como falta de fé, porque a fé‚ conduz à humildade, e esta é inimiga do orgulho.
(3) Tédio da vida? Muitas vezes, as pessoas não conseguem definir um objetivo em sua vida. No fundo, é ausência da fé para suportar as provas que a vida lhe impõe. As dificuldades são tantas, e não encontrando forças para sair do marasmo, a pessoa acaba se entediando. Quem tem fé não deserta da vida, pois sabe que os recursos Divinos são inesgotáveis. E a oração é o maior dos instrumentos para se conseguir que essa ajuda venha dos Planos mais Altos.
(4) Medo do fracasso? - Medo de ser humilhado, ironizado por não ter sido um vencedor. No fundo, todos os problemas que levam as pessoas ao suicídio é a falta de fé, é a fragilidade espiritual.
O nosso propósito, através desse trabalho, é fazer uma abordagem psicológica e espiritual do suicida, e quais são os motivos que o levam para tal ato.
PARTE II
“Há alguns anos, conheci Aparecida. Havia ingerido um poderoso agrotóxico e estava viva apenas graças à rapidez do socorro, uma diálise renal.
Sorria-me, sem graça, na expectativa do que ia fazer.
- O que houve Aparecida?
- Eu só ia dar um susto no meu marido. Tínhamos brigado.
- Você não sabia que poderia morrer?
- Pensei que aquilo só matava bicho sem osso...
Na sua simplicidade, Aparecida me dizia que não queria morrer. Ela tinha “ossos”, um esqueleto interno, mental, que a prendeu à vida.
Já outros suicidas têm um “esqueleto” mais frágil. E não suportam as vicissitudes da vida, mais ainda quando ela os frustra e lhes causa sofrimentos.
Existem sofrimentos que fazem parte da vida e há aqueles desnecessários. Muitos de nós não nos satisfazemos com os que já existem (e, muitas vezes, são tantos!). E procuramos outros. Como complicamos nossas vidas, como que atraídos pelo sofrer!
Não seria isto uma espécie de suicídio?”
“Nesta vida, morrer não é difícil. O difícil, é a vida e o seu oficio.”(Maiakvóski)
PARTE III
O suicídio através do tempo
“O suicidio, desde a Antiguidade, sempre foi punido severamente. Plutarco, um antigo historiador, nos conta o seguinte:
Moças passam a enforcar-se e logo apresenta uma “epidemia” de suicídio de jovens. Nenhuma medida fez com que ela cesse, até que alguém propõe que as jovens sejam condenados a terem seu cadáver levado nu, em passeata, até o cemitério. Com essa medida, a “epidemia” se extingue.”
“Em Tebas e Chipre, o morto era privado de honras fúnebres. Em Atenas, no século IV, cortava-se a mão direita daquele que cometera o suicídio. Esta era enterrada distante do resto do corpo do individuo de forma a evitar uma posterior vingança do morto. O objetivo era desmanchar seu estratagema, destituí-lo de poder, da capacidade de assassinar os vivos. Ainda no século IV, Santo Agostinho assinala que o suicídio era uma “pervesão detestável” e “demoníaca”, e que o “não matarás” estendia-se também a “não matarás a si próprio”. A Igreja utilizava todos os recursos disponíveis para a repressão ao suicídio. Outras religiões também condenavam o suicídio, como é o caso da judaica, com a prática de enterrar o corpo do suicida em sepultura à parte.”
“O suicídio do presidente Getúlio Vargas implica, não só um ato de vingança contra seus inimigos, que se sentiram culpados e responsáveis, mas principalmente, o objetivo do suicido foi a permanência de Vargas influenciando os sobreviventes, como numa vida pós-morte: “saio da vida para entrar na História”, escreve em sua carta-testamento.”
“Em novembro de l978, houve um suicídio coletivo de 913 pessoas na Guiana, seguidoras da seita Templo do Povo, do pastor americano Jim Jones. Eles se envenenaram com cianureto, enquanto seu líder deu um tiro na própria cabeça.”
“No primeiro semestre de 1986, o número de adolescentes suicidas cresceu no Japão. A policia atribuiu o fato à morte da cantora pop Yokiko Okada, então com 18 anos, que se jogou de uma altura de 7 andares. Foram registrados 30 suicídios entre adolescentes no país, após o acontecimento.”
“Personagens fictícios da literatura também inspira este tipo de gesto. Em 1774, o lançamento do livro “Werther” do poeta alemão Goethe, provocou uma onda de suicídio na Europa. Motivo: a identificação com o destino do personagem-título do livro, que se mata com um tiro por amor. A “epidemia” de suicídio foi tão longe que várias pessoas, na maioria jovens se matavam envergando casacos azuis e colete amarelo, as roupas que o personagem usava no final do livro.”
“Romeu e Julieta, da obra de Shakekspeare, assim como tantos Romeus e Julietas da vida real, se matam para vingar-se de seu ambiente e das pessoas que estão ao seu redor”
(Publicado no Boletim GEAE Número 332 de 16 de fevereiro de 1999)
“O telefone toca... O plantonista atende...
Uma pessoa deseja morrer. Ingeriu comprimidos, deseja morrer conversando com alguém e espera que o plantonista possa ser esta pessoa, possa representar este outro para que não esteja só nesta passagem.
O plantonista arrisca perguntar se está certo de que‚ isto que realmente quer, se não gostaria que lhe fosse enviado socorro. A pessoa recusa, não quer voltar atrás e pede ao plantonista que fale com ela. A voz atenua-se... o telefone cai”.(*)
PARTE I
“Tentar compreender por que uma pessoa, de maneira impulsiva ou cuidadosamente planejada, escreve dizeres amorosos na sola do sapato para um namorado e se atira do viaduto do Chá; ou acomoda seu revólver numa morsa de oficina, na garagem de sua residência, coloca a cabeça diante da arma e dispara; ou amarra um cordel de náilon no teto do banheiro e se enforca; ou ingere dezenas de comprimidos de uma só vez; ou por que uma criança se joga da janela do décimo andar; ou, ainda, por que um padre acende as seis bocas do fogão na cozinha de um colégio, deitando-se sobre elas carbonizando-se, não é, absolutamente, tarefa fácil.
Foi numa tentativa de elucidar alguns fatores que possam estar em jogo na vivência destas pessoas, no momento em que decidem se matar, que este trabalho nasceu”.(**)
Por que as pessoas se matam?
O que poderá levar o homem a recorrer a esse ato tão irracional?
(1) Falta de Fé? - é a total descrença de uma outra vida após a morte. Tem a ilusão de que, provocando a própria morte, será o fim de todo o sofrimento e o início de um eterno sono profundo. É a falta de Espiritualidade e da crença nas obras do Criador.
(2) Orgulho ferido? - Pode ser considerado, também, como falta de fé, porque a fé‚ conduz à humildade, e esta é inimiga do orgulho.
(3) Tédio da vida? Muitas vezes, as pessoas não conseguem definir um objetivo em sua vida. No fundo, é ausência da fé para suportar as provas que a vida lhe impõe. As dificuldades são tantas, e não encontrando forças para sair do marasmo, a pessoa acaba se entediando. Quem tem fé não deserta da vida, pois sabe que os recursos Divinos são inesgotáveis. E a oração é o maior dos instrumentos para se conseguir que essa ajuda venha dos Planos mais Altos.
(4) Medo do fracasso? - Medo de ser humilhado, ironizado por não ter sido um vencedor. No fundo, todos os problemas que levam as pessoas ao suicídio é a falta de fé, é a fragilidade espiritual.
O nosso propósito, através desse trabalho, é fazer uma abordagem psicológica e espiritual do suicida, e quais são os motivos que o levam para tal ato.
PARTE II
“Há alguns anos, conheci Aparecida. Havia ingerido um poderoso agrotóxico e estava viva apenas graças à rapidez do socorro, uma diálise renal.
Sorria-me, sem graça, na expectativa do que ia fazer.
- O que houve Aparecida?
- Eu só ia dar um susto no meu marido. Tínhamos brigado.
- Você não sabia que poderia morrer?
- Pensei que aquilo só matava bicho sem osso...
Na sua simplicidade, Aparecida me dizia que não queria morrer. Ela tinha “ossos”, um esqueleto interno, mental, que a prendeu à vida.
Já outros suicidas têm um “esqueleto” mais frágil. E não suportam as vicissitudes da vida, mais ainda quando ela os frustra e lhes causa sofrimentos.
Existem sofrimentos que fazem parte da vida e há aqueles desnecessários. Muitos de nós não nos satisfazemos com os que já existem (e, muitas vezes, são tantos!). E procuramos outros. Como complicamos nossas vidas, como que atraídos pelo sofrer!
Não seria isto uma espécie de suicídio?”
“Nesta vida, morrer não é difícil. O difícil, é a vida e o seu oficio.”(Maiakvóski)
PARTE III
O suicídio através do tempo
“O suicidio, desde a Antiguidade, sempre foi punido severamente. Plutarco, um antigo historiador, nos conta o seguinte:
Moças passam a enforcar-se e logo apresenta uma “epidemia” de suicídio de jovens. Nenhuma medida fez com que ela cesse, até que alguém propõe que as jovens sejam condenados a terem seu cadáver levado nu, em passeata, até o cemitério. Com essa medida, a “epidemia” se extingue.”
“Em Tebas e Chipre, o morto era privado de honras fúnebres. Em Atenas, no século IV, cortava-se a mão direita daquele que cometera o suicídio. Esta era enterrada distante do resto do corpo do individuo de forma a evitar uma posterior vingança do morto. O objetivo era desmanchar seu estratagema, destituí-lo de poder, da capacidade de assassinar os vivos. Ainda no século IV, Santo Agostinho assinala que o suicídio era uma “pervesão detestável” e “demoníaca”, e que o “não matarás” estendia-se também a “não matarás a si próprio”. A Igreja utilizava todos os recursos disponíveis para a repressão ao suicídio. Outras religiões também condenavam o suicídio, como é o caso da judaica, com a prática de enterrar o corpo do suicida em sepultura à parte.”
“O suicídio do presidente Getúlio Vargas implica, não só um ato de vingança contra seus inimigos, que se sentiram culpados e responsáveis, mas principalmente, o objetivo do suicido foi a permanência de Vargas influenciando os sobreviventes, como numa vida pós-morte: “saio da vida para entrar na História”, escreve em sua carta-testamento.”
“Em novembro de l978, houve um suicídio coletivo de 913 pessoas na Guiana, seguidoras da seita Templo do Povo, do pastor americano Jim Jones. Eles se envenenaram com cianureto, enquanto seu líder deu um tiro na própria cabeça.”
“No primeiro semestre de 1986, o número de adolescentes suicidas cresceu no Japão. A policia atribuiu o fato à morte da cantora pop Yokiko Okada, então com 18 anos, que se jogou de uma altura de 7 andares. Foram registrados 30 suicídios entre adolescentes no país, após o acontecimento.”
“Personagens fictícios da literatura também inspira este tipo de gesto. Em 1774, o lançamento do livro “Werther” do poeta alemão Goethe, provocou uma onda de suicídio na Europa. Motivo: a identificação com o destino do personagem-título do livro, que se mata com um tiro por amor. A “epidemia” de suicídio foi tão longe que várias pessoas, na maioria jovens se matavam envergando casacos azuis e colete amarelo, as roupas que o personagem usava no final do livro.”
“Romeu e Julieta, da obra de Shakekspeare, assim como tantos Romeus e Julietas da vida real, se matam para vingar-se de seu ambiente e das pessoas que estão ao seu redor”
(Publicado no Boletim GEAE Número 332 de 16 de fevereiro de 1999)
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