Para quem pensa cometer um suicídio sem dor, alertamos que o suicida não o fará sem dor, muita dor.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Suicídio: uma via de mão única

O suicídio é um ato que não se justifica sob nenhum ângulo observado. Movido sob a alegação de “única chance de resolver o problema”, o homem atribui a ele um lugar de honra, já que nada mais pode ser tentado.

Geralmente, a pessoa que acalenta este tipo de desejo deixa pistas que familiares e amigos não se deram conta na época. Por outro lado, deu brecha para que desencarnados em situação infeliz lhe dêem a força de que necessita para concretizar tal atitude – são os chamados “obsessores”, que anteriormente fizeram o mesmo, trilhando um caminho sem volta.

O candidato a suicida não tem noção plena do mal que pensa em praticar. Preocupado consigo mesmo, em resolver uma problemática pessoal, não se dá conta de que uma morte dessa natureza não tem implicação meramente pessoal, mas familiar e social. Trata-se de uma tragédia difícil de ser esquecida por várias gerações. E isso no campo dos encarnados.

Do ponto de vista espiritual, os danos são ainda piores. Conforme os discursos dos suicidas já em tratamento, após o resgate, o arrependimento é a tônica geral. E isso é unânime. Não existe nenhum suicida que relate uma passagem gloriosa para o além. Ao contrário disso, todos a descrevem recheada de dor, de sofrimento inenarrável – físico, psicológico, moral. São todos tomados pelo remorso e fariam qualquer negócio para retornarem à carne. A saudade dos familiares, dos amigos e afins os dilacera. A falta de coragem para enfrentar a problemática que os consumiu agora parece um deleite, se comparada à tortura da culpa. E é somente com a lembrança de Deus, somada ao arrependimento, que a ajuda chega, para o resgate sublime.

Somente no Brasil, são mais de cinco casos semanais registrados pela imprensa – dentre esses, aparecem também os homicídios de ex- esposas ou ex-namoradas, seguidos de suicídios. O que justifica entendermos este ato como um momento em que o orgulho e o egoísmo predominam. É como se existisse uma única alternativa para se resolver o maior problema que se atravessa no momento. É quando o silêncio impera e Deus é o grande desconhecido. A dissociação entre religiosidade e materialismo se verifica e vence o mais forte. É uma via de mão única, que somente se resolverá com a bênção da reencarnação.

Texto de Soraia Vasconcelos