Para quem pensa cometer um suicídio sem dor, alertamos que o suicida não o fará sem dor, muita dor.

sábado, 29 de março de 2014

Análise sistemática sobre os tipos de suicídios e consequências no espírito eterno

DIÁRIO DA MANHÃ

DR. JOSÉ GERALDO RABELO

Um tema, com certeza, bastante complexo e visto de maneiras bem distintas quando olhado apenas pelo ângulo das religiões. Muito questionado e, ao que me parece, pouco compreendido até mesmo pelos profissionais ditos especialistas do comportamento humano.

Tentaremos nesse pequeno artigo levar algumas explicações e algumas “dicas” para evitar que pessoas próximas de você possam mudar sua visão de mundo interno e despertar para a vida, não recorrendo à porta falsa do suicídio.

O suicida é uma pessoa sem esperança, porque perdeu a fé ou a deixou sobrepujar pela ideia, terrivelmente enganadora, de que a morte era o fim libertador! A única saída. A maioria dos suicidas não querem morrer; mas sair do sofrimento.

O termo suicídio define um comportamento ou ato que visa à antecipação da própria morte. Essencialmente, ele resulta de um processo em que a dor psicológica intensa, consequência de acontecimentos que tornam a vida dolorosa e/ou insuportável, em que deixam de existir quaisquer soluções que permitam escapar a um processo de introspecção, que deixa como única solução a morte do próprio indivíduo. Este processo desenvolve-se, regra geral, gradualmente num sentido negativo provocando um estado dicotómico em que passam a existir apenas duas soluções possíveis para um problema ou situação: viver ou morrer.

Concorrem para este comportamento fatores psicológicos diversos, entre os quais se destacam a depressão, o abuso de drogas ou álcool, doenças do foro psicológico, tais como esquizofrenia e distúrbio de stress pós-traumático, dívidas materiais, entre outros.

A Organização Mundial de Saúde estima em 150 milhões os deprimidos do mundo. É de notar que entre os mais acometidos, neste capítulo das depressões, se encontram os pastores evangélicos e os psiquiatras, entre os quais as taxas de suicídio são oito vezes maiores do que no resto da população. Estes números parecem indicar que, na realidade, ninguém salva ninguém e que as religiões ditas salvadoras nem a si mesmas se salvam.

Por esse e outros motivos concordo com o Pai da Psicanálise de que religião é uma neurose coletiva. Todo cuidado é pouco.

Segundo a visão do sociólogo Émile Durkheim, podemos falar de três tipos de suicídios: O egoísta – é aquele que resultaria de uma individualização excessiva nas sociedades onde a moral se esforça para incutir no indivíduo a ideia do seu grande valor, fazendo com que a sua personalidade se sobreponha à coletiva. O egoísmo é tema estudado nas obras básicas da Doutrina Espírita em diversas oportunidades. Assim, no cap. XI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Emmanuel ensina que o egoísmo é a chaga da Humanidade, o objetivo para o qual todos os verdadeiros crentes devem dirigir as suas armas, suas forças e sua coragem. Coragem porque é preciso mais coragem para vencer a si mesmo do que para vencer os outros. Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, relaciona o egoísmo à perda de pessoas amadas, à vida de isolamento, às desigualdades sociais, às ingratidões, ao problema da fome e aos laços de família.

O altruísta: é aquele praticado nos meios onde o indivíduo deve abrir mão da sua personalidade e ter espírito de abnegação e entrega de si às causas coletivas.

Por exemplo, o espírito militar, que exige que o indivíduo esteja desinteressado de si mesmo em função da defesa patriótica. Nesse particular a questão n.º 951 de O Livro dos Espíritos comenta que todo o sacrifício feito à custa da sua própria felicidade é um ato soberanamente meritório aos olhos de Deus, porque é a prática da lei da caridade. Ora, a vida sendo o bem terrestre ao qual o homem atribui maior valor, aquele que a renuncia para o bem do seu semelhante não comete um atentado: ele faz um sacrifício. Mas, antes de cumpri-lo, ele deve refletir se a sua vida não pode ser mais útil que a sua morte.

O anónimo: é aquele que ocorre nos meios onde o progresso é e tem que ser rápido, levando a ambições e desejos ilimitados. O dever de progredir tira do homem a capacidade de viver dentro de situações limitadas, tira-lhe a capacidade de resignação e, consequentemente, tem-se o aumento dos descontentes e irrequietos. A doutrina espírita não poderia omitir-se perante este tema e são várias as obras básicas da Codificação que se debruçam sobre a resignação humana.

Temos ainda suicídio inconsciente, onde o autor encontra-se embriagado, drogado ou fora de seu estado de consciência. O suicídio consciente ou direto a pessoa arquiteta e prepara para executar a ação, muitas vezes, ricas em detalhes. Há também o suicídio indireto, porém consciente que vem através dos abusos de toda ordem: álcool, drogas, velocidade, comida, sexo, trabalho, etc.

Por ser um crime hediondo perante a lei de Deus, o preço que é pago pelo suicida foge à nossa compreensão de sofrimento na terra. Segundo livros ditados aos psicógrafos da terra por espíritos suicidas que, após anos de sofrimento no plano espiritual, desperta e envia suas mensagens e súplicas a nós encarnados para que não cometa esse ato. Leiam: O Martírio dos Suicidas e Memórias de um Suicida.

Para algumas religiões o suicida não tem o perdão de Deus o que contraria os ensinamentos do Mestre – Jesus – quando diz: “Nenhuma ovelha ficará desgarrada”. Deus não criou filhos para viver eternamente no “inferno” diante de um erro. Deus é amor. Deus é misericórdia. E lei da reencarnação é para podermos reparar nossos erros diante de nossas escolhas durante nossas vindas e idas rumo à luz. Somos seres espirituais vivenciando uma experiência na matéria.

Podemos comprovar também a bondade do Pai, quando Seu Filho – Jesus – diz que teríamos que pagar nossas dívidas na terra até o último “centil”. Ou “para ver o reino de Deus é preciso nascer de novo”, “nascer da água e do espírito”. Diálogo de Jesus com Nicodemos.

Infelizmente o número crescente de suicidas nesse início século tem nos deixado preocupado, mas não podemos também negar que a maioria dos suicidas nos dá muitas dicas de seu estado mórbido de viver.

Freud em um de seus ensaios dentro da Psicanálise – primeiros estudos sobre a alma humana e esclarecimento das parábolas de Jesus – nos mostrou nossas tendências suicidas quando diz sobre “pulsão de vida” e “pulsão de morte”.

Finalmente, podemos dizer que o espírito antes mesmo de estar aqui encarnado fez no plano espiritual: projetos e planos, entretanto, ao reencarnar escolhem muitas vezes outros caminhos. Caminhos estes que leva ao desespero e, por estarmos aprisionados ao corpo e termos nossas limitações, buscamos nos libertar pela porta falsa do suicídio.

Buscar ajuda psicoterápica é fator sine qua non, principalmente se esse profissional for espiritualista para que seja levado em conta e tratado a parte das influências negativas das energias do mundo invisível – obsessão – não importando a crença religiosa do paciente e/ou do profissional. Espiritualidade pouco tem a ver com religião. A Ciência médica espiritualista tem comprovado a existência dessas influências no que diz respeito aos nossos distúrbios neuropsíquicos e emocionais – doenças da alma. Que requer ajuda médica – remédios, psíquica – psicoterapia e espiritual – desobsessão.  Não procure a chave onde você não a perdeu.

Não podemos esquecer de que temos o livre arbítrio, onde em todas as escolhas que fizermos teremos uma consequência: ou boa ou má.

Pensar em suicídio ou até mesmo tentá-lo não significa que a pessoa não acredita em Deus ou que não tenha religião, pois o suicídio está além de nossos entendimentos e é algo muito mais complexo do que se imagina. Portanto, devemos orar pelos suicidas para que eles encontrem conforto no mundo espiritual e se permitam serem ajudados, arrependendo de seu erro, buscando a misericórdia do Pai. Se teu fardo é pesado vem até Mim que eu te aliviarei.

(Dr. José Geraldo Rabelo, psicólogo holístico, psicoterapeuta espiritualista, parapsicólogo, filósofo clínico, especialista em família, depressão, dependência química e alcoolismo, escritor e palestrante, e-mails: rabelojosegeraldo@yahoo.com.br; rabelosterapeuta@hotmail.com)