Para quem pensa cometer um suicídio sem dor, alertamos que o suicida não o fará sem dor, muita dor.

sábado, 14 de julho de 2012

Suicídio e depressão


Historicamente, gregos e romanos nos interpretavam o suicídio com ambitendência. Na doutrina Judaica-Cristã, a vida deve ser preservada. Segundo Santo Tomás de Aquino, o suicídio seria uma forma de assassinato. Caberia a Deus o fim da existência. No moderno contexto social, a interpretação do suicídio é complexa. Para Stevenson, vítimas de suicídio sofrem de alguma doença orgânica ou transtornos da personalidade. Quanto mais elevada .a classe social, maior o risco. O desemprego, a queda do status social e a desilusão afetiva, a separação conjugal, dividindo e reprimindo o relacionamento afetivo dos filhos, submetidos a novas personagens da partenidade e da martenidade. Padrastos e madrastas não representam biologicamente a natureza humana.

Estudos contemporâneos revelam transtornos relacionados ao suicídio. Vivências de perda comprometidas com o objeto amado, ruptura da ferida narcísica de âmbito profissional e fortes emoções afetivas. Para Aaron Beck, Professor emérito da Universidade da Pennsylvania, a finitude de todas as esperanças é um dos indicadores do risco de suicídio mais precisos. Com distorções das idéias e dos pensamentos, proporcionando percepção ou cognição negativista e pessimista da vida, do mundo e do futuro, determinando um estado depressivo final. Durante as recessões econômicas, as taxas de suicídio aumentam. Na Grande Depressão da década de 30 nos Estados Unidos, os maiores índices de suicídio ocorreram na Ponte Golden Gate, em São Francisco, segundo Alec Roy professor da Universidade de New Jersey.

Como questão popular leiga, o suicídio seria um ato de loucura, corvadia ou coragem? Culturas místicas relacionam o suicídio com a autopunição ou renascimento. A partida para um mundo melhor. Um sentimento espiritual místico de realização e supostas gratificações. O terrorismo de fanáticos com atentados e auto-destruição (Nova Iorque, "homens Bombas" no Oriente, não conduz ao paraíso, mas para o inferno, com maldição religiosa.)

Kay Taminson, da Universidade de Johns Hopkins, afirma que o governo americano incentiva em saúde publica programas de diagnostico e prevenção do suicídio entre os jovens. Testes psicológicos, questionários, inventários e "life charts" são procedimentos de rotina nas Escolas para detectar jovens potencialmente suicidas.

Os grupos de risco genéticos selecionados são monitorados pelos Departamentos de Psicologia e Psiquiatria das Universidades.

As alterações encontradas são os transtornos bipolares, depressão maior, anorexia grave como transtorno de doença mental, ideias de suicídio. Comprometimento genético (depressão, suicídio, alcoolismo e drogas). Calory Pataki, da Escola de Medicina da Universidade de Los Angeles, consigna como fatores importantes no suicídio de adolescentes: eventos adversos da vida, circunstâncias ambientais familiares desfavoráveis ou impróprias e alterações cognitivas.

Doenças orgânicas graves, câncer, esclerose múltipla, demência, Aids, Alzheimer estão relacionadas. Segundo autores, suicídios apresentam depressão (que se comprova através dos níveis de serotonina) e transtornos mentais. As personalidades compatíveis com o suicídio são: borderline, antissocial, ciclotímica, compulsiva e esquizóide. Simplesmente um ato de loucura? Ou revolta e fuga de um mundo violento, cruel e traiçoeiro, mundo letal.

Josué de Castro
médico, professor e escritor

Do diário do nordeste